Ana Amélia teve cargo de confiança em gabinete do marido

A candidata do PP ao governo do Rio Grande do Sul, Ana Amélia Lemos, confirmou, nesta sexta-feira, 12, ter exercido cargo de confiança (CC) no Senado durante 11 meses, entre os anos de 1986 e 1987, no gabinete do marido. No mesmo período, a jornalista era diretora da sucursal do Grupo RBS em Brasília. Portanto, acumulava as duas funções.

GABRIELA LARA, CORRESPONDENTE, Estadão Conteúdo

12 de setembro de 2014 | 20h48

O fato veio à tona em reportagem publicada pelo jornal online Sul 21 e ganhou espaço nas redes sociais ao longo do dia. De acordo com a reportagem, que teve acesso a documentos da época, Ana Amélia foi CC na função de secretária parlamentar do marido, o senador biônico Octávio Omar Cardoso, morto em 2011. Pelo trabalho no Senado, ela recebia um salário mensal de 9 mil cruzeiros, que correspondem hoje a quase R$ 8 mil, em valores atualizados.

Ana Amélia passou o dia de hoje em campanha pelo interior do Rio Grande do Sul. Em nota, a candidata defendeu a compatibilidade das atividades desempenhadas no gabinete com sua função no Grupo RBS. Ela não explicou, no entanto, como conseguia conciliar duas jornadas de 40 horas semanais.

"Agora, vasculham minha vida e o que encontram? Trabalho! Um contrato de 1986, no qual prestei por 11 meses assessoria parlamentar no Senado quando era jornalista em Brasília! Naquela época, não havia a tecnologia de hoje e eu fazia pautas e clipagens, que não eram incompatíveis com a minha função na RBS", disse a candidata na nota.

Ana Amélia também salientou que o fato ocorreu antes da aprovação da Lei do Nepotismo, em 1988, que definiu como ilegal a contratação de parentes de detentores de cargos no serviço público. "O fato de ter ocupado esse cargo não me proíbe, hoje, de criticar os abusos nessas contratações! Meu gabinete é a prova que valorizo os CCs porque a maior parte deles está nessa condição", disse.

Ao longo de toda a campanha, a senadora tem criticado o governo de Tarso Genro (PT) pelo número de cargos de confiança. Ela defende a redução desses postos como forma de diminuir o gasto público. "O que critico é o excesso de CCs no Rio Grande do Sul, pois o atual governo possui 6 mil funções comissionadas", falou. "Devo ser avaliada pelo meu mandato no Senado e não por um fato de 30 anos que não possui ilegalidade!"

Ana Amélia se mudou para Brasília em 1979 para acompanhar o marido, que era suplente do senador Tarso Dutra. Com a morte do titular em 1983, Cardoso foi efetivado no cargo e exerceu o mandato até março de 1987.

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