Bruno Ribeiro/Estadão
Bruno Ribeiro/Estadão

Amotinados de grupo que atirou em Cid ocupam outro quartel da PM em Sobral

Batalhão abriga a sede da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer) e o Batalhão das Rondas de Ações Integradas Ostensivas (BPRaio), que faz a o patrulhamento de motocicletas

Bruno Ribeiro, Enviado especial

21 de fevereiro de 2020 | 11h30

SOBRAL - Ao menos 40 policiais militares encapuzados mantêm viaturas e motos da Polícia Militar do Ceará apreendidas em um dos batalhões da corporação em Sobral, norte do Estado, desde a madrugada desta sexta-feira, 21. O grupo é o de amotinados que, na quarta-feira, protagonizou a confusão que terminou com o senador licenciado Cid Gomes (PDT) ferido por tiros de arma de fogo. 

"Na quarta, depois de todo aquele ocorrido lamentável, tivemos a informação de que viria o batalhão de choque, viriam outros batalhões, todas a viaturas, aquele aparato do governador, para dar aquela satisfação, então gerou toda uma situação que, pela fragilidade, a gente achou melhor esvaziar naquele momento, mas sabendo que em outra etapa a gente iria voltar. Então, à zero hora, viemos para cá”, disse o Sargento Ailton (SD), ex-PM e vereador da cidade que lidera o motim em Sobral.

O batalhão ocupado abriga a sede da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer) e o Batalhão das Rondas de Ações Integradas Ostensivas (BPRaio), que faz  o patrulhamento de motocicletas.

Diferentemente da quarta-feira, desta vez a ação não teve toque de recolher na cidade, o que fez que a ocupação não alterasse o cotidiano local. O batalhão que havia sido ocupado antes fica bem no centro de Sobral  o que está ocupado nesta sexta fica nos limites da área urbana da cidade, no bairro Derby Clube.

Sargento Ailton afirma que a decisão de determinar o fechamento do comércio foi um erro, mas disse ao Estado que a ação não tinha intuito de causar pânico. Ele disse que Cid Gomes havia feito uso político do caso ao ir para o batalhão com uma retroescavadeira, e que o disparo contra o senador foi um ato de legítima defesa.

“Atirar para matar não quer dizer que você vai ser condenado. O caso pode ser até arquivado. Até se o tiro for na cabeça. Isso se é a última opção da pessoa, ela precisa se salvar, preservação imediata, quase instintiva. Você vai fazer qualquer coisa para cessar a ameaça”, afirmou o sargento, ao contestar as ações do senador.

“Se atirou e a pessoa veio a óbito, é legítima defesa se tiver material para provar. E ali tinha vídeos e mais vídeos. Se não fosse o disparo, que graças a Deus foi um só um susto..”, disse o sargento, ao dizer que o tiro em Cid foi um caso de legítima defesa. 

Mesmo reconhecendo que disparos foram feitos, Ailton questiona a veracidade da informação de que o senador foi ferido à bala. “Tem laudos e a gente inclusive contesta. Não vimos furos na camisa.”

O motim não tem prazo para se encerrar. Os amotinados dizem esperar a abertura de um canal de diálogo com o governador Camilo Santana (PT).

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.