Amorim vai discutir crise com chanceleres do Grupo do Rio

Negociações para aproximar Equador e Colômbia devem continuar, diz ministro.

Denize Bacoccina, BBC

06 de março de 2008 | 06h15

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, vai discutir a crise entre a Colômbia e o Equador em uma série de reuniões bilaterais com chanceleres de países da região nesta quinta-feira, na reunião do Grupo do Rio, em Santo Domingo, na República Dominicana.Apesar da resolução da Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovada nesta quarta-feira, da proposta brasileira de criar uma comissão para investigar as circunstância da invasão de território equatoriano pela Colômbia, o governo brasileiro avalia que as negociações para aproximar os dois países devem continuar, já que as relações diplomáticas foram rompidas.Já foi marcada também uma reunião de chanceleres para o dia 17 deste mês, em Washington. O ministro não ia à reunião do Grupo do Rio, um grupo de concertação política dos países latino-americanos que estava esvaziado nos últimos anos, mas decidiu comparecer nesta quarta-feira, para discutir a crise com os colegas.Ele disse que já havia pedido um encontro com o chanceler venezuelano Nicolas Maduro, com quem ainda não conversou sobre o assunto. Na segunda-feira, Amorim disse que passou o dia ao telefone conversando com chanceleres de vários países da região e, além de Equador e Colômbia, citou o argentino.Amorim disse que ainda não conversou com a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, que vem ao Brasil na próxima semana.O ministro também tentou afastar os Estados Unidos das conversas e disse que seria bom se o assunto ficasse circunscrito "primeiro, à América do Sul, e depois, à América Latina", embora tenha lembrado que o país também faça parte da OEA. PazAmorim evitou qualificar como "mediação" a ação do governo brasileiro. "Nosso objetivo não é ser o mediador, nosso objetivo é ter a paz. Faremos tudo o que está ao nosso alcance para isso", afirmou.Questionado se o Brasil se sente ameaçado pelas Farc, que segundo Correa também poderiam avançar sobre território brasileiro, Amorim disse que não. "O Brasil se sente ameaçado indiretamente por um conflito na região", afirmou.O ministro contou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou ao presidente colombiano Álvaro Uribe que está disposto a recebê-lo para conversar sobre o assunto. Uribe disse que quer vir a Brasil, mas a visita ainda não foi marcada.Amorim disse que, do ponto de vista político, uma crise deste tipo na região é ruim porque atrapalhar a integração sul-americana."Qualque coisa que ameace esta integração é grave porque debilita nossa posição diante do mundo. E quanto menos unidos estivermos mais facilmente seremos vítimas de negociações inadequadas. Estaremos mais longe de conseguirmos nossos objetivos de progressso e desenvolvimento", afirmou.Amorim disse que concorda com as três condições estabelecidas pelo presidente Correa para resolver a crise: que a Colômbia faça um pedido de desculpas inequívoco, que garanta que a invasão territorial não vai se repetir e que coloque de lado outras acusações que surgiram depois, como o apoio equatoriano às Farc.A reunião de cúpula presidencial, na sexta-feira, deve contar, entre outros, com a presença do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, do Equador, Rafael Correa, da Venezuela, Hugo Chávez, do Chile, Michele Bachelet, e da Argentina, Cristina Kirchner.O presidente Lula viaja para o Rio de Janeiro na sexta, e visita três favelas da cidade para o lançamento do início de obras do PAC, além de um encontro com o presidente de Portugal, Cavaco Silva, para eventos relacionados aos 200 anos da chegada da família real ao Brasil.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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