Amorim vai à Venezuela e reitera apoio ao país no Mercosul

Chávez, no entanto, mantém atritos com parlamentares brasileiros, a quem cabe aprovar a inclusão no bloco

Efe,

29 Setembro 2007 | 23h34

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reiterou neste sábado, 29, em Caracas o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à entrada da Venezuela no Mercosul, para dar impulso à integração sul-americana. No Palácio de Miraflores, sede da Presidência venezuelana, Amorim disse o Brasil "trabalha" para a entrada da Venezuela no bloco e expressou "confiança" de que o Congresso tomará uma decisão favorável. Veja também:  Chávez acusa o Congresso brasileiro de submissão aos EUA Cronologia do impasse entre o Senado brasileiro e Hugo Chávez   "Quero reiterar que, para nós, a entrada da Venezuela é muito importante" e o governo Lula "sempre" deixou clara essa "visão perante os congressistas brasileiros", declarou Amorim às portas do palácio, onde foi recebido pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez. O ministro chegou esta tarde a Caracas para examinar "os resultados do mais recente encontro entre os presidentes" Lula e Chávez, dia 20. No entanto, Chávez manteve atritos com parlamentares brasileiros, aos quais cabe aprovar a inclusão de novos sócios no bloco fundado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, o que pode adiar a entrada do país no bloco. Venezuelano acusou os parlamentares brasileiros de atuarem como porta-vozes dos interesses dos Estados Unidos. A entrada da Venezuela no Mercosul ainda precisa ser aprovada pelos Congressos do Brasil e do Paraguai. A Argentina e Uruguai já ratificaram. "Nós não somente fizemos o pedido para a aprovação, mas também estivemos várias vezes - eu pessoalmente - com os congressistas brasileiros para dar todos os argumentos necessários", disse Amorim. "Temos confiança de uma decisão a favor do Brasil, a favor da integração sul-americana e que também será útil, em nosso julgamento, para a Venezuela", acrescentou o chanceler. Amorim disse que esta tarde teve uma reunião "ampla e produtiva" com seu colega venezuelano, Nicolás Maduro, discutindo diversos temas de interesse bilateral como comércio, cooperação bilateral nos campos agrícola e industrial. O ministro se reuniu com Chávez para "aprofundar as idéias" analisadas com Maduro, disse o ministro aos jornalistas.  Adesão Adiada Na última quarta, a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados decidiu novamente adiar, desta vez para o dia 24 de outubro, a votação do protocolo de Adesão da Venezuela ao Mercosul.  A primeira motivação foi o artigo "A Venezuela e o Mercosul", do embaixador Rubens Barbosa, publicado nas edições da última quarta do Estado e O Globo, que detalha as pendências técnicas dessa adesão. Vieira da Cunha informou que vai enviar ainda nesta quarta ao Itamaraty um ofício com o pedido de explicações, por meio de nota técnica, sobre os pontos em aberto mencionados por Barbosa. A segunda motivação foram as declarações do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, no último dia 20, em Manaus. Pouco antes de encontrar-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Chávez afirmou que o atraso da tramitação do Protocolo de Adesão no Congresso brasileiro devia-se à "mão do império".  Em junho passado, ele declarara que o Congresso "repetia como um papagaio" o que dizem os congressistas americanos. "Estávamos com um clima maduro para a votação . Mesmo com o desmentido do presidente Chávez, que atribuiu seu deslize a uma intriga da mídia brasileira, suas declarações geraram um mal-estar", afirmou Vieira da Cunha.

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