Amorim rebate críticas de ex-embaixador ao Itamaraty

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, lamentou nesta segunda-feira as críticas do ex-embaixador brasileiro em Washington Roberto Abdenur sobre a política externa do País, em entrevista à revista Veja dessa semana. Apesar de dizer que não iria comentar o assunto, Amorim terminou afirmando que, se Abdenur tinha problemas tão sérios com a condução do Itamaraty, poderia usar outros meios de protesto, insinuando que o embaixador poderia ter deixado o posto antes de ser removido, no mês passado. "Um embaixador com um posto como Washington e que tem dúvidas tão sérias sobre a política externa brasileira tem uma maneira muito clara de manifestar isso", disse Amorim, sem deixar clara qual seria essa maneira. Na entrevista, Abdenur diz que existe hoje uma doutrinação política dentro do Itamaraty e intolerância à pluralidade de opinião. O embaixador classificou de "antiamericanismo atrasado" a postura adotada por setores da política externa brasileira e criticou a prioridade dada às relações com Países emergentes, além da falta de agressividade brasileira em condenar situações como as criadas pelo presidente venezuelano Hugo Chávez. "Lamento notar que o embaixador tenha escolhido o momento da sua remoção definitiva para fazer esses comentários", disse o ministro. Amorim afirmou que não houve razões políticas para a saída de Abdenur de Washington, mas sim decisões burocráticas, já que vários outros embaixadores teriam sido removidos de seus postos no mesmo momento. Amorim afirmou, ainda, que as críticas feitas pelo embaixador são apenas "oportunas para quem quer criticar a política externa brasileira".

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