Amorim evita comentar relato de Dilma sobre tortura

O ministro da Defesa, Celso Amorim, recusou-se nesta segunda a comentar a divulgação do relato que a presidente Dilma Rousseff fez ao Conselho de Direitos Humanos de Minas Gerais, em 2001, sobre as torturas que ela sofreu quando esteve presa em Juiz de Fora, em 1972. Em visita ao espaço Humanidade 2012, no Forte de Copacabana, zona sul do Rio, Amorim limitou-se a afirmar que caberia a cada cidadão formar sua opinião sobre o assunto.

ALFREDO JUNQUEIRA, Agência Estado

18 Junho 2012 | 19h40

"Ah, gente, eu não vou comentar isso. Se ela própria não comentou, como é que eu iria comentar?", questionou, irritado, o ministro logo após de ser abordado por jornalistas. "Eu acho que são fatos da história, eles vão aparecendo. Cada cidadão forma a sua ideia sobre isso."

O envio dos documentos, localizados e publicados pelo jornal "O Estado de Minas" neste fim de semana, à Comissão da Verdade também não motivou Amorim a fazer comentários. "A Comissão da Verdade é para justamente restabelecer a verdade e permitir que as pessoas conheçam os fatos, sob todos os ângulos. É só o que eu tenho a falar sobre isso", disse o ministro.

A nomeação de Amorim para o Ministério da Defesa, em agosto do ano passado, logo após a demissão de Nelson Jobim, teria desagradado setores militares que ficaram contrariados com o que chamaram de "decisões ideologizadas" tomadas por ele quando esteve à frente do Ministério das Relações Exteriores - entre 2003 e 2010. Desde que assumiu a pasta, Amorim tem se notabilizado por declarações cuidadosas que não criem atrito com as Forças Armadas.

Então militante do Comando de Libertação Nacional (Colina), grupo que aderiu à luta armada contra a ditadura militar, Dilma relatou uma série de torturas pelas quais foi submetida quando esteve presa na cidade mineira. Ela sofreu choques elétricos, passou pelo pau de arara, apanhou de palmatória e levou socos de agentes da ditadura.

As sequelas provocadas, como problemas ortodônticos, por exemplo, perduraram por anos. Em seu depoimento, Dilma diz que os interrogatórios a fizeram encarar a "morte e a solidão" e que a marcaram "pelo resto da vida".

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