Amorim diz que escolha de Patriota é homenagem à política externa de Lula

Ministro elogiou sucessor durante Cúpula do Mercosul, em Foz do Iguaçu.

BBC Brasil, BBC

16 Dezembro 2010 | 18h24

Amorim elogiou Patriota durante Cúpula do Mercosul, em Foz do Iguaçu.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta quinta-feira que está "felicíssimo" com a confirmação de Antonio Patriota como seu sucessor no governo da futura presidente, Dilma Rousseff, e definiu a escolha como uma "homenagem" à política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"O Patriota não só é um bom amigo, mas um companheiro de trabalho há muitos anos", afirmou Amorim em Foz do Iguaçu (PR), onde se realiza a 40ª Cúpula do Mercosul.

"Não quero fazer disso uma coisa pessoal, mas eu tomo como uma homenagem à política externa do presidente Lula o fato do vice-ministro atual - que foi embaixador em Washington, foi subsecretário, foi chefe de gabinete do ministro - ter sido escolhido pela presidenta".

A confirmação do nome de Patriota foi feita nessa quarta-feira por Dilma. O futuro chanceler ocupa desde outubro de 2009 o cargo de secretário-geral do Itamaraty. Antes disto, era embaixador em Washington.

Analistas entrevistados pela BBC Brasil afirmam que o novo ministro indica uma continuidade em relação ao governo Lula.

Sobre a Cúpula do Mercosul, Amorim destacou, entre outros acordos, a criação de uma placa comum para veículos dos quatro membros do bloco - Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. A decisão ocorrerá primeiro com caminhões e ônibus, chegando por último aos carros.

Segundo o Itamaraty, a placa terá "especificações técnicas harmonizadas entre os Estados Partes, mas combinação alfanumérica continuará a ser determinada por cada uma das autoridades nacionais, de acordo com as necessidades de cada País". A medida não tem uma data definida para ser adotada.

Mandato no Mercosul

Também foi determinada nesta quarta-feira a criação do cargo de Alto Representante-Geral do Mercosul.

Amorim defendeu a criação deste cargo, para que o bloco sul-americano tenha uma "cara" para consultas políticas com outras partes. No entanto, negou ser candidato ao posto.

O representante, segundo o Itamaraty, terá mandato de três anos, renovável por igual período uma única vez. Ele terá funções de articulação política, formulação de propostas e representação das posições comuns do bloco em organismos internacionais.

Amorim também negou que será candidato a um mandato no Parlamento do Mercosul. O ministro ressaltou a consolidação do Legislativo do bloco, a partir de uma decisão tomada em outubro.

Segundo Amorim, os candidatos terão espaço na televisão para apresentar aos eleitores suas propostas em relação ao Mercosul.

Havana

Amorim disse que foi firmado um acordo de consultas políticas entre o Mercosul e Cuba para aumentar a continuar aproximação econômica entre as duas partes. O ministro afirmou que isto não significa que Havana possa passar a integrar o bloco como um membro pleno, possibilidade que vê como improvável.

O chanceler disse ainda que a Austrália - representada em Foz do Iguaçu por meio de seu ministro de Relações Exteriores e ex-primeiro-ministro, Kevin Rudd - deu apoio ao Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, como já havia feito anteriormente com Japão e Índia.

Outro acordo assinado durante a cúpula permite a captura de pessoas procuradas pela Justiça no Mercosul.

A medida abrange os quatro países do bloco, além de Bolívia, Equador, Colômbia e Peru e permitirá a prisão de procurados em qualquer um desses territórios, mediante a um mandado expedido pelo Mercosul que será transmitido por e-mail, quando possível, para acelerar o processo.

Demora

Questionado sobre a demora para o Mercosul em derrubar barreiras que impedem a sua consolidação, Amorim afirmou que "essas coisas levam tempo". O chanceler destacou a busca da correção de rumos dentro do bloco e à maior coordenação política entre os países como pontos que estão fortalecendo a união do Mercosul.

Amorim afirmou que a falta de um acordo que firmasse um protocolo para compras governamentais entre os países do Mercosul é um dos pontos que a reunião de Foz do Iguaçu deixou a desejar. "O país fica buscando uma coisinha pequena e acaba perdendo uma maior", disse o chanceler.

"Probleminhas sempre surgem, isso é natural."

Sobre eventuais frustrações ocorridas nos seus oito anos de gestão, Amorim citou o fracasso na rodada Doha sobre comércio exterior, ocorrida em 2008. "A história é uma coisa muito ampla e nós participamos de um momentinho (...).Nós contribuímos enormemente para que as negociações da OMC se tornassem mais justas. Se pudesse ter concluído, melhor ainda."

Nessa quinta-feira, também foram assinados acordos-quadro do Mercosul com a Síria e com a Autoridade Nacional Palestina, que darão início a negociações para o livre comércio. Além disto, foi assinada uma declaração conjunta do bloco com os Emirados Árabes Unidos, para retomar o diálogo com os países do Golfo Pérsico.

O presidente Lula já está em Foz do Iguaçu, onde participa, no fim do dia, do encerramento da Cúpúla Social do Mercosul, encontro entre movimentos sociais dos países integrantes do bloco. Dilma participaria nesta quinta-feira de um jantar com os chefes de Estado, mas cancelou por problemas de agenda.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, também anunciou que não participará na sexta-feira da reunião de cúpula entre os chefes de Estado. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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