Amorim diz que abstenção na ONU foi correta

Chanceler defende voto do Brasil, mesmo após Dilma haver afirmado que foi um erro não ter apoiado condenação ao Irã

Patrícia Campos Mello, de O Estado de S.Paulo,

10 Dezembro 2010 | 23h01

SÃO PAULO - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta sexta-feira, 10, que nunca conversou com a presidente eleita, Dilma Rousseff, a respeito da abstenção do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU) em votações sobre a condenação de mulheres ao apedrejamento e o desrespeito a direitos humanos no Irã. "Eu não vou comentar a política externa da presidente Dilma, ela terá o chanceler dela, que vai assessorá-la nesse aspecto", disse Amorim, após ser homenageado em evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). "Se ela pedir minha opinião, vou explicar o que explicamos várias vezes: não se trata de não condenar várias ações, trata-se de saber a melhor maneira de ajudar em situações concretas."

 

Em entrevista ao jornal The Washington Post, no fim de semana passado, Dilma mostrou que não teria a mesma posição de Lula nas votações de resoluções de direitos humanos na ONU. "Não concordo com o modo como o Brasil votou. Não é a minha posição", afirmou Dilma, que vinha evitando fazer comentários sobre a decisão do Itamaraty.

 

O Brasil absteve-se na votação do documento que condenava medidas como amputações, chibatadas e apedrejamentos no Irã. Na entrevista, Dilma criticou as práticas "medievais que são aplicadas quando se trata de mulheres".

 

"Não sou a presidente do Brasil (hoje), mas ficaria desconfortável, como uma mulher eleita presidente, em não me manifestar contra o apedrejamento."

 

Amorim afirmou que "há uma falsa percepção de que o Brasil procurou ter uma relação estreita com o Irã". "O Brasil tem uma relação boa com o Irã, como tem com muitos outros países, o Irã é um país grande, importante, que tem influência no Oriente Médio", disse. "O que nós fizemos foi absolutamente correto eu faria tudo de novo o que eu fiz."

 

Ele também comentou a sucessão no Itamaraty. "A presidente eleita teve a delicadeza de me telefonar antes de convidar (Antonio Patriota para ser chanceler), dizendo que ia convidá-lo". Amorim e Patriota são bastante próximos.

 

O ministro disse ter ficado "decepcionado" com a notícia de que a iraniana Sakineh Ashtiani não foi libertada pelo governo do Irã, como foi informado na quinta-feira por organizações não-governamentais (ONGs). "Fiquei decepcionado tinha ficado muito esperançoso", afirmou o chanceler.

 

O presidente Lula tinha feito um apelo, esse assunto foi tratado várias vezes com as autoridades iranianas."

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