Amorim: críticos da política externa 'veem Brasil com olhos pequenos'

Chanceler dividiu desafetos em nacionais e internacionais; reação vem um dia após ataques de Serra

estadão.com.br, com informações da BBC Brasil / SÃO PAULO,

27 Julho 2010 | 14h22

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, rebateu nesta terça-feira, 27, os críticos da política externa brasileira. Em entrevista exclusiva à BBC Brasil, desde Tel Aviv, o chanceler afirmou que os desafetos veem o Brasil com "olhos pequenos" e "não conseguem compreender" que o País ganhou "grandeza" internacional.

 

Amorim dividiu os críticos em dois grupos - as grandes potências, que segundo ele, querem manter o monopólio do poder, e críticos dentro do País que não compreendem que "o Brasil é um país grande". Embora não tenha especificado a quais desafetos nacionais se referia, as declarações do ministro foram feitas um dia após o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, ter criticado a política de comércio exterior brasileira e as relações do País com Venezuela, Bolívia e Paraguai.

 

Serra critica apoio de Lula a Chávez, em quem vê 'ameaça' à paz regional

 

"No Brasil (os críticos) são pessoas que não conseguem compreender que - sem nenhuma megalomania, sem nenhum exagero - o Brasil tem um tamanho e uma grandeza no cenário internacional", afirmou o ministro à BBC. Amorim também rejeitou as críticas de que a participação crescente do Brasil nas questões mundiais, especialmente no Oriente Médio, se dá em detrimento dos esforços para ajudar a resolver os problemas da América Latina.

 

"Na questão da crise entre a Venezuela e a Colômbia, a primeira coisa que o presidente (Luiz Inácio Lula da Silva) fez foi telefonar para o presidente (Hugo) Chávez, e também entramos em contato com os ministros colombianos. Uma coisa não interfere na outra, pelo contrário, o prestígio internacional do Brasil nos ajuda também a trabalhar na região", disse.

 

O ministro acrescentou que a América do Sul tem mecanismos para resolver crises como a que está ocorrendo entre os dois países vizinhos e lembrou que na próxima quinta-feira, dia 29, os ministros da Unasul vão se reunir para discutir a questão.

 

Em discurso para empresários na segunda-feira, Serra ecoou as declarações de ministros colombianos que deram início à crise entre os dois países ao dizer que até "até as árvores da floresta amazônica" sabem que Chávez abriga as Farc. O candidato tucano também afirmou que o Brasil faz "filantropia" nas relações com o Paraguai e a Bolívia e que o País "não tem política de comércio exterior".

 

Repercussão

 

As críticas aos países vizinhos repercutiram na imprensa paraguaia e venezuelana. Para o jornal Ultima Hora, de Assunção, Serra usou "tom irônico" para se referir às relações do Brasil com os países da região. Já o venezuelano Ultimas Noticias destacou não se tratar da primeira vez que Serra ataca Hugo Chávez.

 

Em seu discurso de segunda-feira, Serra também insinuou que os esforços do Itamaraty nas negociações sobre a questão nuclear iraniana teriam sido melhor empregados se voltados para as disputas entre Colômbia e Venezuela. Para a BBC, Amorim disse que a atuação do Brasil no Oriente Médio "valeram a pena".

 

"Vale a pena o esforço, porque aqui (no Oriente Médio) estão concentrados os problemas principais da paz mundial, e o Brasil é um grande País e todos nós temos que pagar um preço pela manutenção da paz", afirmou. "A paz é como a liberdade, é como ar, você só sente como ela é importante quando ela não existe", continuou Amorim.

 

Eleições

 

Diante da aproximação das eleições no Brasil, Amorim afirmou que considera que mesmo na ausência do presidente Lula, o papel do Brasil no cenário internacional continuará crescendo. "Pelé só teve um, mas o Brasil continuou a ser campeão mundial", comparou. De acordo com a avaliação do ministro, daqui a dez anos ninguém terá duvidas sobre o papel importante e central do Brasil nas relações internacionais, inclusive nas questões da paz e segurança mundiais.

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