Amorim busca fortalecer relações bilaterais em visita ao Irã

É a primeira visita de um chanceler brasileiro ao Irã, desde 1991; Brasil quer equilibrar o comércio com o país

Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo,

01 de novembro de 2008 | 15h42

No primeiro dia de visita a Teerã, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, se reuniu com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, quando entregou carta enviada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendendo o fortalecimento das relações bilaterais com objetivo de possibilitar, no futuro, um encontro entre os dois chefes de Estado, segundo relatou a Assessoria de Imprensa do Itamaraty.  Amorim participa, neste domingo, 2, do encontro empresarial Brasil-Irã, no qual estão presentes representantes brasileiros das indústrias automobilística, alimentícia, da construção civil e de petróleo, que querem ampliar o comércio entre os dois países, além abrir as portas para investimentos mútuos.  Ontem, em entrevista, ao lado do ministro dos Negócios Estrangeiros, Manouchehr Mottaki, Celso Amorim falou da importância da reativação da comissão mista entre os dois países e da expectativa de que Mottaki visite o Brasil, proximamente, para tentar ampliar as relações comerciais.  Embora entre 2002 e 2007, o intercâmbio comercial entre ambos tenha crescido quase quatro vezes, tendo atingido a cifra de cerca de US$ 2 bilhões, Amorim ressaltou que ele ainda está muito abaixo do que poderia alcançar. O Brasil quer equilibrar o comércio com o Irã, hoje superavitário a nosso favor. Esta é a primeira visita de um chanceler brasileiro ao Irã, desde 1991. Na coletiva, segundo a assessoria do Itamaraty, Amorim ressaltou as boas relações entre dois grandes países do mundo em desenvolvimento, destacando que ambos compartilham algumas visões centrais da agenda internacional.  O ministro brasileiro comentou ainda que, além da crise financeira, há uma crise de governança e é importante que grandes países em desenvolvimento, como o Brasil, o Irã e outros conversem e procurem influenciar o redesenho da ordem internacional. Convite O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou neste sábado, 1, o chefe de Estado iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, a fazer uma visita oficial ao Brasil, informaram fontes oficiais. O convite foi feito a Ahmadinejad pelo chanceler Celso Amorim, que chegou hoje a Teerã para uma visita oficial de caráter comercial, informou a Agência Brasil. O chanceler participará amanhã da abertura de um encontro empresarial que reunirá dirigentes de companhias brasileiras e iranianas com o objetivo de impulsionar o comércio entre os dois países. Amorim viajou ao Irã acompanhado de importantes nomes das indústrias automotiva, petrolífera, alimentícia e de construção civil brasileiras. Irã é o maior mercado brasileiro no Oriente Médio. Em 2007 absorveu 28,7% das exportações do país à região, o que equivaleu a US$ 2 bilhões. Mensagem O presidente iraniano disse que países como Irã e Brasil precisam cooperar em um ambiente tranqüilo para fazer desaparecer os efeitos das economias colonizadoras e que "as novas condições requerem que os dois países lancem as bases para relações dinâmicas, construtivas e fortes". O presidente iraniano disse também que não existe nenhum obstáculo para a ampliação das relações entre Irã e Brasil, agradeceu a mensagem de seu colega brasileiro e recebeu com alegria sua próxima visita ao Irã, cuja data não foi divulgada. O chefe da diplomacia do Brasil expressou o interesse do povo e o Governo de seu país na ampliação das relações com o Irã. "Empresários brasileiros de diferentes setores me acompanharam em minha viagem a Teerã, o que demonstra a vontade política dos líderes brasileiros de ampliar as relações com o Irã", disse. Amorim deve se reunir com vários responsáveis políticos iranianos, entre eles o ministro de Exteriores, Manouchehr Mottaki, com quem falará de questões regionais e internacionais e da ampliação das relações bilaterais. (Com Efe) Ampliada às 21h50

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