Tiago Calazans/Divulgação Partido Novo
Tiago Calazans/Divulgação Partido Novo

Amoêdo critica movimentação de clã Bolsonaro para migrar a nova UDN

Tratativas se dão no contexto da crise do PSL, suspeito de desviar verba pública por meio de candidaturas 'laranjas'

Paula Reverbel, O Estado de S. Paulo

17 de fevereiro de 2019 | 22h11

João Amoêdo, presidente do partido Novo – que levou quatro anos para conseguir seu registro – disse não ver com bons olhos a negociação dos filhos do presidente Jair Bolsonaro (PSL) para migrar a uma nova legenda, a reedição da antiga UDN (União Democrática Nacional), em fase final de criação.

“O partido tem que que nascer baseado em ideias, princípios e valores. Se for uma sigla só para acomodar uma transição e virar mais uma legenda, aí acho ruim”, explicou Amoêdo, que disputou a Presidência da República no ano passado, ao Estado.

O empresário faz a ressalva de que defende a liberdade de criação de partidos, desde que eles tenham identidade clara e assumam o compromisso de não usar recursos públicos – “nem fundo partidário, nem fundo eleitoral”. “Apesar de ter uma quantidade enorme de partidos no Brasil, a grande maioria dos brasileiros se sente pouco representada”, argumentou.

As tratativas da migração para a nova UDN, reveladas pelo Estado, se dão no contexto da crise do PSL, suspeito de desviar verba pública por meio de candidaturas “laranjas”. Eduardo Bolsonaro encabeça os esforços, com apoio de um de seus irmãos, Carlos, para preservar o capital eleitoral do clã diante do desgaste do partido.

Amoêdo também questionou por que a família Bolsonaro não procurou criar um partido novo até agora, já que estão na política há muitos anos e passaram por múltiplas siglas. “Se não tem nenhum partido que representa as suas ideias, por que não ter montado um lá atrás? Por que fazer isso só agora?”, indagou.

O empresário disse torcer para que a criação da nova UDN se dê “sem qualquer tipo de pressão que venha da posição deles já como membros do governo”. Segundo ele, o registro do Novo ou da Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, ocorreu de forma mais lenta do que o PSD de Gilberto Kassab, que já era influente no governo quando fundou a sigla.

O cientista político Christian Lohbauer, um dos fundadores do Novo e vice na chapa de Amoêdo, criticou a reedição da UDN, que vê como um partido importante na formação da política brasileira nos anos 1950 e 1960.

“Que nem o Kassab, que resgatou o PSD achando que iria resgatar o partido do Juscelino (Kubitschek). Ele pegou uma sigla bonitinha e fez o partido dele, mas não tem nada a ver com o PSD”, disse. “Então é o caos, é a falência total do sistema partidário. E ainda querem inventar coisa do passado que não tem nada a ver com o presente”, concluiu.

Para Lohbauer, “mudar umas letrinhas do partido não significa nada”. “O PSL já é uma ficção que eles inventaram para serem eleitos e está aí o resultado”, disse, em referência à crise atual da legenda.

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