Amigo diz que ex-diretora "guardou trunfos"

A ex-diretora do Prodasen, Regina Célia Borges, não disse tudo que sabia sobre a violação do quadro de votações do Senado em seu depoimento ao Conselho de Ética da Casa, durante o qual responsabilizou os senadores José Roberto Arruda (PSDB-DF) e Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) pelo ato. Aconselhada por amigos e profissionais, ela guardou trunfos para comprovar tudo que disse, ciente de que enfrentará tentativas de desqualificação de suas informações. "A Regina, como ela mesma disse, não é idiota. Ela é sensata e estrategista e se preparou para o que vai enfrentar", disse um amigo da ex-diretora. "Ela tem provas do que está dizendo", garantiu. Esse amigo não quis adiantar que trunfos a ex-diretora teria.Regina preparou-se principalmente para rebater o assessor de Arruda, Domingos Lamoglia, a quem disse ter entregue a lista da votação retirada, de forma ilegal, do painel eletrônico. Lamoglia teria testemunhado vários encontros entre ex-diretora e Arruda, em que o assunto foi tratado. Mas ele divulgou nota desmentindo o recebimento da lista, na quarta-feira. Na quinta, no entanto, não teve condições de fazer o mesmo, em depoimento cancelado junto à corregedoria do Senado.A quebra do sigilo telefônico da ex-diretora pode comprovar ou desmentir os vários contatos com ACM, Arruda e Lamoglia, lembra um senador do Conselho de Ética. Mesmo que a central telefônica do Senado não permita identificar os ramais de onde partiram as ligações, vários telefonemas foram dados de residências, inclusive o que marcou o encontro de Regina e ACM na casa da assessora do senador baiano, Isabel Flecha de Lima. Segundo um policial federal da área de inteligência, ainda que o sigilo telefônico quebrado seja apenas o de Regina, será possível identificar o número dos telefones que fizeram chamadas para ela.

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