Amigo de Lula se recusa a abrir sigilo na CPI das ONGs

Lorenzetti diz que denúncias de envolvimento na compra do dossiê Vedoin foram ?formuladas em notícias que não passam de calúnia e difamação?

Rosa Costa, O Estadao de S.Paulo

06 de março de 2008 | 00h00

Ex-chefe do Núcleo de Informações e Inteligência da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem se declara "amigo", Jorge Lorenzetti negou ontem qualquer envolvimento com a operação de compra do dossiê contra o governador José Serra (PSDB) nas eleições de 2006. Em depoimento à CPI das ONGs, ele se recusou, ainda, a autorizar a CPI a quebrar o seu sigilo bancário, fiscal e telefônico, conforme sugeriu o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM).O petista, que já foi chamado de "aloprado" por Lula, foi convocado à CPI para explicar por que a Unitrabalho, organização não-governamental da qual foi presidente, recebeu R$ 3,4 milhões no dia anterior do episódio do dossiê.Quanto ao sigilo, alegou que não iria atender ao pedido de Virgílio porque suas contas já teriam sido abertas por vários órgãos - Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Receita Federal e Polícia Federal - e também requisitadas pela CPI das Sanguessugas. A última informação foi desmentida pelo presidente da comissão, senador Raimundo Colombo (DEM-SC), com base na documentação daquela CPI, concluída em 2006.Já o advogado de Lorenzetti, Aldo de Campos Costa, disse não saber a amplitude da quebra de sigilo, dando como certa a existência apenas da abertura do seu sigilo telefônico.No final de seu depoimento, a questão do sigilo chamou a atenção, pelo empenho dos senadores da base aliada e do relator, Inácio Arruda (PC do B-CE), em derrubar a solicitação. Enquanto Virgílio alegava que a decisão iria provar que Lorenzetti "não deve nada a ninguém", os governistas alegavam que o tucano estava constrangendo o depoente."Não é muito feliz a idéia de fazer uma ação como a que foi feita agora, é uma decisão pessoal dele e, se quiser assinar, o fará de bom alvitre, não podemos obrigá-lo", alegou o senador Sibá Machado (PT-AC), referindo-se à autorização entregue a Lorenzetti por Virgílio. Já Wellington Salgado (PMDB-MG) disse que a iniciativa atingia a "vida pessoal" do sindicalista. DENÚNCIA VAZIALorenzetti chamou de "denúncia vazia" as informações de que teria participado da compra de um dossiê Vedoin, com supostas informações contra tucanos nas eleições de 2006. "São denúncias formuladas em notícias que não passam de calúnia e difamação", disse.Já no depoimento que prestou à Polícia Federal, em setembro de 2006, ele havia contado sobre contatos mantidos com Gedimar Passos, Valdebran, com o então secretário executivo do Ministério do Trabalho,Oswaldo Bargas, e diretor do Banco do Brasil, Expedito Afonso Veloso, todos eles citados como envolvidos no esquema.

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