Amigo de Jader, Bezerra diz que ´cumprirá seu dever´

O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, disse hoje ao Grupo Estado que as denúncias de uma suposta sociedade entre o presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), e o empresário José Osmar Borges, acusado de desviar R$ 133 milhões da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), não o farão negar sua amizade pelo senador, mas também não o impedirão de concluir as investigações de supostos desvios de dinheiro naquele órgão. "Não serão essa amizade e companheirismo que me impedirão de cumprir o meu dever", afirmou. Recolhido em sua fazenda no Rio Grande do Norte para os feriados da Semana Santa, o ministro tentou evitar os políticos e a imprensa, depois do susto que levou em Brasília. Quinta-feira, antes de deixar a capital federal, ele se submeteu a exames que constataram pressão alta e indicaram necessidade de repouso. "Sinto-me cansado e pressionado, mas vou levar o meu trabalho até o fim", disse. Bezerra reafirmou que a empresa - citada na reportagem da revista Veja como tendo sido de propriedade de Jader, em sociedade com Borges - já está sendo investigada, mas, em razão das novas denúncias, as apurações serão aprofundadas. "O envolvimento do nome do senador não vai nos impedir de cumprir o nosso dever e, se ficar comprovado que houve fraude, ele deverá pagar por isso", disse. Reunião - Bezerra anunciou que se reunirá amanhã com o interventor da Sudam, José Diogo Cyrillo da Silva, e com o superintendente da Sudene, Wagner Bittencourt, para definir os critérios de liberação de verbas para projetos que não estão sendo investigados ou sobre os quais não pesem suspeitas. "Não vamos prejudicar os projetos que não estão sob investigação. Precisamos continuar trabalhando e vamos dar prioridade ao exame daqueles programas que são importantes para o País nesse momento, como os de empresas geradoras de energia, pois o Brasil enfrenta muitos problemas nessa área", explicou Bezerra. Ele reafirmou sua determinação de encaminhar ao Ministério Público todos os processos envolvendo empresas acusadas de desvios e lembrou que o superintendente da Sudam já se reuniu com a corregedora Anadyr Figueiredo, escolhida pelo presidente Fernando Henrique Cardoso para acompanhar e investigar denúncias de corrupção no governo. O ministro não comenta a possibilidade de ver o amigo e correligionário Jader como réu em processos sobre irregularidades na Sudam e explica: "As denúncias são contra o senador Jader Barbalho. É ele, portanto, quem deve falar sobre isso." No Ministério da Integração Nacional e na própria Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia, o sentimento é que Jader pode ter chegado ao fundo do poço. Assessores do próprio ministro já admitem a possibilidade de ele vir a enfrentar um processo de cassação no Senado.

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