Americanos garantem repasse de tecnologia

Anúncio foi feito por meio de nota enviada pela embaixada em Brasília

Tânia Monteiro, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

10 de setembro de 2009 | 00h00

Mesmo diante da decisão Brasil de considerar a França como parceira preferencial no processo de compra dos caças que equiparão a Força Aérea, privilegiando o Rafale, o governo norte-americano não se deu por vencido. A Embaixada dos Estados Unidos em Brasília divulgou nota em que os EUA aceitam transferir ao País a tecnologia do caça F/A-18 Super Hornet, um dos candidatos na concorrência. A nota também afirma que há aval para a eventual montagem dos aviões em território brasileiro.

Ao comentar a iniciativa, Marco Aurélio Garcia, assessor internacional da Presidência, afirmou que os Estados Unidos "não têm um bom antecedente" na parceria com o Brasil, se referindo ao veto à venda dos Super Tucanos da Embraer à Venezuela, no início de 2006, sob alegação de que a aeronave brasileira tinha componentes de alta tecnologia fabricados nos EUA.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, avaliando o grau de competição entre os países, aproveitou ontem a polêmica para ironizar. "Daqui a pouco vou receber esses aviões de graça", respondeu, ao ser questionado se as ofertas dos Estados Unidos não poderiam significar uma reviravolta no caso.

Além da transferência de tecnologia, chegavam notícias no Ministério da Defesa de que os EUA estavam querendo até mesmo comprar 100 Super Tucanos para sua Força Aérea, o que poderia servir para neutralizar a decisão da França de comprar dez aviões de transporte militar, o KC-390, em fase de desenvolvimento.

Marco Aurélio Garcia defendeu a "decisão política" do governo brasileiro de estabelecer uma parceria preferencial com a França na aquisição de caças bombardeiros, submarinos e helicópteros. Segundo Garcia, a transferência de tecnologia prevista no acordo com a França foi um ponto fundamental para a opção brasileira.

Em relação à nota divulgada pelo governo dos EUA, em que também há um aceno de transferência de tecnologia, o assessor de Lula comentou: "Nós queremos saber de transferência efetiva de tecnologia. Em segundo lugar, precisamos saber se nós não vamos sofrer nenhum tipo de restrição, como, por exemplo, sofreu o Super Tucano".

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