Americano vê Estado como babá do cidadão

Em evento no Rio, David Harsanyi critica o excesso de controle da sociedade pelos governos

16 de março de 2011 | 23h00

RIO - O escritor americano David Harsanyi afirmou nessa quarta-feira, 16, em palestra no Rio, que há excesso de regulação e controle da sociedade pelo Estado nos EUA. Harsanyi é autor do livro O Estado Babá - Como Radicais, Bons Samaritanos, Moralistas e Outros Burocratas Cabeças-Duras Tentam Infantilizar a Sociedade.

 

A obra foi lançada durante o seminário "Liberdade em Debate - Democracia e Liberdade de Expressão". O evento, realizado pelo Instituto Millenium e patrocinado pela Souza Cruz, foi marcado por críticas à intervenção do Estado. "Vocês (brasileiros) não precisam copiar o que está acontecendo nos EUA. Vocês não jogam beisebol", disse Harsanyi. Para exemplificar o que chamou de comportamento "paternalista" do Estado, ele citou leis que determinam, nos EUA, até a quantidade diária de ração que deve ser dada a animais domésticos, além do aviso de que crianças não podem, para evitar acidentes, correr em determinados parques.

 

"Isoladamente, essas restrições não parecem ruins. Mas, quando vemos o todo, o conjunto desses miniataques à liberdade, percebemos que o problema é muito maior, que não tem a ver com ideologia, com esquerda ou direita, mas com um problema que afeta toda a sociedade." Na opinião do escritor americano, o presidente Barack Obama "ampliou" o conceito de "Estado Babá". "Por causa de um garoto que se afogou, foi criada uma lei que instituiu um sistema de fiscalização em todas as piscinas, com um custo impressionante", disse. O escritor ressalvou que há restrições necessárias, como não dirigir depois de beber, mas avaliou que os exageros estão aumentando.

 

No painel "Cultura da Intervenção x Soberania Popular", o diretor de conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour, disse ser fundamental o resgate, especialmente no Brasil atual, do "papel das instituições na democracia". "É preciso resgatar a verdadeira agenda do Estado. Em vez de um Estado interventor, grande demais, um Estado que atue com ênfase na definição de serviço público. Que resgate a função de servir ao público."

 

Para o diplomata Marcos Troyjo, a teoria do "Estado Babá" precisa de complementos. Por outro lado, disse ele, há o "Estado babão, que dorme no ponto". No painel "Politicamente Correto e Liberdade de Expressão", o jornalista Marcelo Tas, âncora do programa CQC, da TV Bandeirantes, abordou o tema patrocínio: "Morreu mais gente no carnaval por acidente de trânsito do que em Tripoli. Aí vem um crítico e diz: ‘mas seu programa é patrocinado por uma marca de cerveja’. Isso é autoritarismo, como se beber uma cerveja não fosse uma decisão pessoal. Existe a lei para que ele não pegue o carro", argumentou.

 

Para o colunista da revista Veja Reinaldo Azevedo, a "sorte da liberdade de expressão depende da existência do patrocínio, de empresas que não dependam tão umbilicalmente do Estado".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.