América Latina não é prioridade no Orçamento de Bush

A diplomacia do etanol é a grande esperança do governo do presidente americano, George W. Bush, para se reaproximar da América Latina, mas democratas acreditam que o esforço não será suficiente para reverter anos de desinteresse.Na proposta de Orçamento do ano fiscal 2008 que Bush encaminhou ao Congresso, a verba total do Departamento de Estado para programas do Hemisfério Ocidental - incluindo assistência, ajuda tecnológica, militar, pesquisa e outros - é de US$ 1,6 bilhão.Só para comparar, US$ 1,5 bilhão é o que os EUA gastam em cinco dias no Iraque. "O Orçamento não é uma grande prova do compromisso com a América Latina, ele dá uma idéia de quais são as reais prioridades do governo", diz Dan Restrepo, diretor do Projeto das Américas no Centro de Progresso Americano."O Egito recebe US$ 2 bilhões por ano do governo americano, enquanto a América Latina recebe US$ 1,6 bilhão", diz o deputado democrata William Delahunt. "Precisamos reavaliar nossas prioridades?, completou. CooperaçãoEm uma apresentação para congressistas há duas semanas, logo após a viagem do subsecretário de Estado Nicholas Burns ao Brasil, integrantes do departamento afirmaram que o governo Bush pretende destinar cerca de US$ 15 milhões para o programa Brasil-EUA de cooperação em etanol.Os recursos viriam do governo americano, da missão americana na Organização dos Estados Americanos (OEA), do Banco Interamericano de Desenvolvimento a Fundação ONU. O dinheiro seria usado nas iniciativas de pesquisa, desenvolvimento, padrões, enquanto o investimento em infra-estrutura viria do setor privado e instituições multilaterais. "Trata-se de uma ótima iniciativa do governo, mas são necessários mais recursos para tirar o projeto do papel", afirma um assessor de um congressista.

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