América Latina debate integração antes de chegada de Bush

Líderes latino-americanos e do Caribe debateram no sábado, 3, temas como energia, infra-estrutura e questões sociais, em uma reunião de cúpula que deixou de fora o impacto que terá na região a viagem do presidente norte-americano, George W. Bush. Os líderes defenderam o fortalecimento do Grupo do Rio (G-Rio), assumindo a necessidade de construir novos modelos de integração entre as áreas política, econômica e social, com ênfase nos temas energéticos, de infra-estrutura, da luta contra a pobreza, e da mudança climática no planeta. Era esperado que a visita que Bush realizará na semana que vem por vários países da América Latina fosse debatida, mas nada foi mencionado. "Não se tocou no tema diretamente", disse o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro. Maduro representou o presidente Hugo Chávez durante o encontro, uma vez que Chávez não pode comparecer por problemas de agenda. Consultado sobre o impacto que terá a visita de Bush na região, Maduro disse: "Acho que quem está avaliando o impacto da visita são aqueles que têm medo dos povos da América Latina e do Caribe, e é por isso que andam espalhando que nossos povos ou alguns de nossos líderes estão propondo algum tipo de sabotagem." O diplomata previu que Bush terá "o repúdio absoluto como chefe deste império que levou a guerra, a morte e a destruição aos povos do Afeganistão e Iraque". Outros delegados e chefes de Estado recusaram-se a comentar o tema para a imprensa. O presidente norte-americano tem uma viagem programada que o levará a reunir-se com seus colegas do Brasil, Colômbia, Guatemala, México e Uruguai, em uma excursão que, segundo Chávez, busca dividir a região. Grandes ausênciasDepois de um 2006 repleto de eleições presidenciais, a América Latina ficou dividida entre os aliados de Washington, que incluem Peru, México e Colômbia, e os críticos como Bolívia, Equador e Venezuela; e aqueles que mantêm relações amigáveis com os dois lados, entre eles Brasil, Chile e Argentina. Washington afirma que os governos de esquerda da Venezuela e da Bolívia desestabilizam a democracia na região com suas críticas aos acordos de livre comércio que vários países latino-americanos firmaram com os EUA. Apesar de defenderam abertamente o fortalecimento do G-Rio - fundado em 1986 e formado por 20 países - apenas sete chefes de Estado compareceram pessoalmente à reunião, que começou na noite de sexta-feira. Os presidentes presentes foram o do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; do México, Felipe Calderón; e do Chile, Michelle Bachelet. Os três, ao lado do ministro das Relações Exteriores argentino, Jorge Taiana, estavam no café da manhã convocado pelo presidente mexicano para tratar de interesses comuns. Também foram à Guiana os presidentes da República Dominicana, Leonel Fernández; de Honduras, José Manuel Zelaya; da Nicarágua, Manuel Ortega; e do Panamá, Martín Torrijos. O chanceler brasileiro, Celso Amorim, comentou com a imprensa que a reunião também discutiu informalmente a entrada de Cuba no G-Rio. O documento final da cúpula, chamado de Declaração de Turkeyen, enfatizou que os chefes de Estado devem estabelecer uma rota na direção do fortalecimento do grupo e de um perfil mais dinâmico em favor dos pactos políticos. Os líderes frisaram que a região deu importantes passos para a consolidação da democracia, respaldaram uma reforma da Organização das Nações Unidas, e se comprometeram a se empenhar na questão do desarmamento nuclear.

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