Ameaça de Paulinho a jornais será levada à OEA

OAB, AMB e ABI criticam tática, similar à da Universal, de entrar com ações em vários Estados

Moacir Assunção, O Estadao de S.Paulo

08 de março de 2008 | 00h00

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) informou ontem que levará à Organização dos Estados Americanos (OEA) a ameaça do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT), o Paulinho, de processar em vários Estados os jornais Folha de S.Paulo e O Globo por causa de reportagens sobre o suposto favorecimento da Força Sindical e do PDT em convênios do Ministério do Trabalho. Paulinho é presidente da Força e a pasta do Trabalho é chefiada por Carlos Lupi, presidente licenciado do PDT.Paulinho adota estratégia semelhante à adotada pela Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) contra três jornais - Folha, Extra e A Tarde -, com dezenas de ações, às vezes em locais de acesso difícil. A única diferença, que o deputado fez questão de frisar ontem, é que no caso da Iurd a maioria das ações foi protocolada por fiéis. "Vamos assumir as ações. Seremos nós mesmos que entraremos com elas", avisou.De acordo com o presidente da Fenaj, Sérgio Murilo, o vice-presidente da entidade, Celso Schörder, vai relatar na segunda-feira à OEA os casos que envolvem tentativas de cercear a liberdade de expressão no Brasil, entre eles as declarações de Paulinho e as ações da Iurd. "Se ações desse tipo continuarem, a sociedade será prejudicada, já que o cidadão terá cerceado seu direito de ser informado", analisou. Murilo vê risco de "ação golpista contra a liberdade de expressão".O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cézar Britto, também usou termos duros. "Isso não pode virar moda. O Judiciário não pode ser usado como instrumento de perseguição política ou de capricho de quem quer que seja."O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Mozart Valadares, também condenou a iniciativa. "Tenho convicção de que a magistratura brasileira, que guarda muito respeito pela imprensa livre e democrática, vai usar seus instrumentos para impedir que o Judiciário se torne um instrumento de perseguição."O vice-presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Audálio Dantas, concorda com Britto. "É lamentável que comecem a surgir ações como essa, que caracterizam tentativas de intimidação."PRESSÃOAo confirmar a intenção de processar os jornais, Paulinho alegou que a Força foi prejudicada em todo o País. "Todos os dias tem gente me cobrando. Como vou me defender? A Folha vai para todo o País", disse. "É um dano irreparável. Não tem dinheiro que pague." O deputado rebate todas as suspeitas envolvendo a Força e o ministério.

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