Ambulantes dizem que vendas estão 'mais fracas' em ato na Paulista nesta sexta

'A água, que eu vendia a R$ 5 no domingo, hoje eu vendo a R$ 3", diz um vendedor presente na manifestação

André Ítalo Rocha e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2016 | 19h39

Vendedores ambulantes que também estiveram no protesto contrário ao governo no domingo, 13, lamentam as vendas mais fracas no ato desta sexta-feira, 18, na Paulista. Alguns deles informaram que chegaram a abaixar o preço para atrair mais clientes. Um deles, que preferiu não se manifestar, disse que o público é "mais humilde". "Aí, por exemplo, a água, que eu vendia a R$ 5 no domingo, hoje eu vendo a R$ 3", disse. Gilmar também contou que o público de domingo era mais "diferenciado". Quando o assunto era cerveja, ele só vendia Heineken. Hoje, optou por trazer Skol.

O pipoqueiro Yang Kauae, de 21, também lamentou a menor demanda do protesto desta sexta-feira. Ele estima que, no domingo, faturou cerca de R$ 3 mil. "Hoje, foram só R$ 200, por enquanto", disse.

O vendedor Geraldo Cardoso, de 45 anos, tem tido mais sorte. Ele disse que, embora o público de hoje seja menor, o público de domingo era "mais fresco". "Em vez de comprar uma água comigo, eles preferiam comprar água na Starbucks", lamentou.

Segundo os organizadores do ato de hoje, há cerca de 200 mil pessoas na Av. Paulista. No último domingo, o protesto contrário ao governo de Dilma Rousseff reuniu, segundo a PM, cerca de 1,4 milhão de pessoas.

Número. O secretário de Relações Institucionais da Prefeitura de São Paulo, o ex-ministro Alexandre Padilha (PT) também participa do ato realizado nesta sexta. Questionado a respeito da presença de um público menor hoje em comparação ao do último domingo, contra o governo, ele minimizou o fato. "Não viemos disputar número", disse.

Ele argumentou que a manifestação de domingo contou com a "mobilização da Globo" e metrô de graça - fato este negado pela assessoria de imprensa do metrô. Ainda segundo o petista, a oposição "chocou o ovo da serpente da intolerância". "A oposição não tem uma liderança para construir um projeto de País." 

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