Ambientalistas protestam durante premiação de Lula

Três ativistas sobem no palco e acusam o presidente de ser conivente com o desmatamento da Amazônia

Andrei Netto, PARIS, O Estadao de S.Paulo

08 de julho de 2009 | 00h00

Três militantes da organização ambientalista Greenpeace realizaram, ontem, em Paris, um protesto público contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusando-o de conivência com o desmatamento da Amazônia.A manifestação aconteceu durante a cerimônia de entrega do Prêmio Félix Houphouët-Boigny pela Busca da Paz, na sede da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em Paris. Lula deu a volta por cima. Em pronunciamento, conclamou o mundo a salvar a Amazônia no acordo de Copenhague, em dezembro.O ato aconteceu por volta das 16h30 - 11h30 horário de Brasília - , quando o presidente se preparava para receber o prêmio das mãos do ex-presidente e ex-primeiro-ministro de Portugal, Mário Soares.Enquanto os líderes políticos confraternizavam, sob os aplausos do público, os três manifestantes subiram ao palco. Dois ergueram faixas nas quais se lia a mensagem "Lula, salve a Amazônia, salve o clima".Os militantes permaneceram, em silêncio, alguns segundos ao lado dos líderes políticos sem serem importunados por seguranças nem provocar reação de repúdio ou de apoio da plateia ou dos homenageados.Logo seguranças da Unesco aproximaram-se, pedindo as bandeiras. Dois dos manifestantes, os franceses Sylvain Pardy e Pascal Ewig, ambos de 36 anos, expressaram uma reação - um deles se jogou no chão.Ao perceber o princípio de tumulto, Lula e o diretor-geral da Unesco, Koichiro Matsuura, fizeram sinal aos seguranças para que agissem com calma. A situação foi controlada com a saída dos militantes. Um terceiro, o brasileiro João Talocchi, biólogo de 25 anos e membro do Greenpeace Brasil, entregou um globo inflável ao presidente. "Chamei o presidente duas vezes, ele me olhou mas não quis pegar o globo. Na terceira, ele o pegou, mas pôs de lado na mesma hora", contou. "Lula pareceu frustrado por ser criticado na hora de receber o prêmio." DESCULPASA resposta do presidente veio minutos depois. Em seu pronunciamento, ele lamentou a truculência dos seguranças. "Queria pedir desculpas aos jovens que entraram aqui com a faixa ?Lula, tome conta da Amazônia? ou ?Não deixe a Amazônia acabar?. Muitas vezes, por um problema de linguagem, não se sabe quem é e o papel da segurança é não permitir (a aproximação)", justificou. Então, Lula reverteu o constrangimento em seu favor, sendo ovacionado pelo público que lotava o auditório. "O alerta desses jovens vale para todos nós, porque a Amazônia tem de ser realmente preservada", afirmou. Os ativistas do Greenpeace, que foram detidos e entregues à polícia francesa, prestaram depoimentos em separado - cada um de 10 minutos - , e acabaram liberados no início da noite. Eles mantiveram a postura crítica em relação ao governo brasileiro. "Foi um protesto bem sucedido, mas o presidente precisa ouvir a mensagem", argumentou Talocchi. "Não adianta Lula ter um discurso internacional muito bonito. Ele pode ser ótimo gestor social, mas a questão ambiental é tratada com desdém."

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