Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Ambientalistas 'premiam' Arthur Lira com o 'Motosserra de Ouro 2021'

Em protesto organizado pelo Greenpeace Brasil, ativistas encenaram a entrega da premiação ao presidente da Câmara dos Deputados pelo 'compromisso com o projeto de destruição ambiental de Bolsonaro'

André Borges, O Estado de S. Paulo

17 de agosto de 2021 | 16h17

BRASÍLIA – O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), foi laureado nesta terça-feira, 17, com o “Prêmio Motosserra de Ouro Edição 2021”. Trata-se de um protesto pacífico, organizado pelo Greenpeace Brasil.

Na manhã desta terça, a organização realizou o ato no anexo do Congresso Nacional, onde os ativistas encenaram a entrega da premiação a Arthur Lira. Na ação, participantes vestidos de gala desfilaram por um tapete vermelho e acompanharam a entrega do prêmio a um homem caracterizado de Arthur Lira, exibindo seu crachá de “funcionário do mês do (des) governo Bolsonaro” e segurando um molho de chaves.

Outras organizações da sociedade civil participaram do ato, como Observatório do Clima, Instituto Socioambiental (ISA), Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS) e Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN).

"O presidente da Câmara vem seguindo à risca seu compromisso com o projeto de destruição ambiental de Bolsonaro, prova disso é que, em seis meses de mandato, Lira conseguiu aprovar o pior texto do PL do Licenciamento Ambiental e, recentemente, o PL da Grilagem. São projetos como estes que impulsionam o desmatamento, o fogo e a violência contra povos indígenas e do campo, além de agravar a emergência climática. Por tudo isso, Lira tem se mostrado o grande merecedor do prêmio Motosserra de Ouro Edição 2021 e é hora de entregarmos esse troféu a ele”, declarou Thais Bannwart, porta-voz de Políticas Públicas do Greenpeace Brasil.

Neste segundo semestre, Lira ainda deve trazer para o plenário o “PL do Veneno” (6.299/2002) e projetos de lei ligados à exploração de terras indígenas, como o PL 490/2007 e o PL 191/2020).

Outros parlamentares já foram agraciados com a premiação. Foi o caso da senadora Kátia Abreu (Progressistas-TO), em dezembro de 2010. Naquela ocasião, Kátia recebeu a premiação em Cancún, por sua “luta incansável pelo esfacelamento da lei que protege as florestas do país”, referindo-se à proposta do Código Florestal. Uma ativista do Greenpeace fantasiada de índia tentou entregar o prêmio, uma réplica de motosserra dourada, no lobby do hotel em que Abreu estava hospedada em Cancún, onde participava da COP-16 da ONU sobre o clima.

“As chaves que o Lira de mentira carregava na encenação de hoje simbolizam a casa do povo fechada a sete chaves pelo próprio Arthur Lira, que se aproveita desse período de distanciamento social e age de maneira antidemocrática, pautando e aprovando projetos sem a devida participação da sociedade e transparência nas votações”, disse Thais.

Adriana Ramos, associada do Instituto Socioambiental (ISA) disse que a atuação de Lira frente aos retrocessos que vem sofrendo o meio ambiente e o clima é coerente com a premiação dada pelo Greenpeace. "A atuação do presidente da Câmara ao viabilizar a aprovação de legislações importantes sem o devido debate, sabendo dos impactos negativos que essas legislações terão ao meio ambiente e ao clima no Brasil, qualifica ele para receber o prêmio".

A especialista sênior em Políticas Públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo, afirmou que, em apenas seis meses à frente da presidência da Câmara, Arthur Lira já se igualou ao ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles nos danos à política ambiental. “Viabilizou a votação de duas leis com conteúdo muito ruim, um texto sobre licenças ambientais que na prática implode com o licenciamento no país e a Lei da Grilagem. Toda semana anuncia pautas com retrocessos ambientais. Além disso, leva os processos diretamente ao plenário, com relatórios que aparecem de última hora, praticamente ninguém consegue ler antes de votar. Um verdadeiro desastre”, disse.

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