Ambientalistas e cientistas resistem à obra

Região é patrimônio natural, cultural, histórico, arqueológico, espeleológico e paleontológico

O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2007 | 00h00

A maior resistência ao Centro Administrativo partiu de ambientalistas, cientistas e conservacionistas, preocupados com a ocupação humana desordenada na chamada área cárstica de Lagoa Santa, um patrimônio natural, cultural, histórico, arqueológico, espeleológico e paleontológico situado na região metropolitana da capital mineira.A licença de instalação foi concedida no último dia 14 pela Câmara de Atividades de Infra-Estrutura (CIF) do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam). Para a concessão da licença prévia, o governo estadual se comprometeu a colocar em prática um plano de governança ambiental e urbanística do vetor norte da Grande Belo Horizonte.Além do centro, a região vive o impacto de novos empreendimentos, como a construção da Linha Verde, uma via expressa de 40 quilômetros ligando o centro da capital até o Aeroporto Internacional de Confins; ampliação do próprio aeroporto e um projeto de rodoanel metropolitano norte. "As pressões sobre a área cárstica são muito grandes", observou o paleontólogo e professor Cástor Cartelle, que preside a CIF do Copam. A presidente da Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda), Maria Dalci Ricas, destaca que uma das exigências do termo de compromisso firmado pelo governo é a implementação de um sistema de áreas protegidas (SAP), como condicionante para a licença prévia do futuro rodoanel. A previsão é que o sistema seja implantado até o final de 2010, composto por um mosaico de unidades de conservação. "Vemos essa ocupação como inevitável, por isso a nossa luta para que ela seja minimamente ordenada", diz ela.PARQUERecentemente, o governo promoveu a desapropriação, tirando do papel o Parque do Sumidouro, criado por decreto em janeiro de 1980, como compensação à construção do aeroporto internacional. O parque, no entanto, nunca foi implementado e em mais de duas décadas a área original delimitada para a unidade (de 1,3 mil hectares) acabou ocupada por loteamentos irregulares e empresas de beneficiamento de pedras.O governo se comprometeu a criar também o Parque da Serra Verde, área verde que servirá de moldura para o Centro Administrativo.A área cárstica de Lagoa Santa - que compreende pelo menos cinco municípios da região metropolitana - é formada por grutas e paredões de grande importância científica. Foi onde o naturalista dinamarquês Peter Wilhelm Lund (1801-1880) deu início a seus trabalhos, que serviriam de base para a formulação de teses revolucionárias, e onde foi encontrado o crânio de Luzia - considerada o primeiro fóssil humano das Américas.

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