AMB cobra esforço do Judiciário para recuperar imagem

Merecedor de nota vermelha da sociedade - 4,55 em escala de zero a dez, mostra levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) - , o Judiciário quer mudar a cara. "Nossos desafios são do século 21, mas as nossas ferramentas de trabalho são do final do século 19", define o desembargador Henrique Nélson Calandra, presidente eleito da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB).

AE, Agência Estado

30 de novembro de 2010 | 11h52

Com os votos de 4.552 juízes (51,73% do quadro filiado à AMB), Calandra terá três anos de mandato para tirar do limbo da desconfiança o poder ao qual pertence desde 1981, ano em que ingressou no universo da toga. Aos 65 anos, ele reconhece que a Justiça sofre de um anacronismo sem fim. "Ainda vivemos num mundo de papel. Aí fora, para comprar um alfinete usa-se um computador. Aqui é na burocracia."

Invoca até os que já se foram. "Se a gente fizer uma sessão espírita no tribunal e chamar os colegas que morreram eles iriam pensar que estão vivos. Somos obrigados a combater organizações criminosas sofisticadas com recursos antigos, temos uma lei penal de 1940, um inquérito policial que é peça de museu, uma polícia judiciária totalmente desequipada, uma polícia científica que só existe na tela de TV."

Calandra integra a 2.ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo, a maior corte estadual, com 360 desembargadores. A entidade que presidirá até 2013 é a mais influente de sua categoria, com cerca de 15 mil filiados de todas as ramificações do Judiciário.

Para ele não adianta nada a AMB ter construído uma imagem positiva à custa de campanhas nacionais contra a corrupção se o juiz é avaliado com 4,5 por uma sociedade insatisfeita. "Quero saber quais os problemas que mais afligem o juiz", afirma. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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