'Amazônia tem dono e somos nós, brasileiros', afirma Lula

Durante o discurso, Lula procurou mostrar que a questão ambiental é um desafio global

Adriana Chiarini, Agência Estado

26 de maio de 2008 | 12h46

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira, 26, ao participar do XX Fórum Nacional, que ocorre nesta semana no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que "o mundo precisa entender que a Amazônia tem dono e o dono somos nós, brasileiros". Ele questionou as condições de países desenvolvidos, mais poluidores, para discutir o tema. "Os países que são responsáveis por 70% da poluição do mundo ficam falando agora da Amazônia", disse. Lula defendeu a preservação, mas também o desenvolvimento da Amazônia. "Será um debate das próximas duas décadas", afirmou.   VEJA TAMBÉM Grandes Reportagens: Amazônia  Segundo ele, é muito "engraçado" que os países que mais poluem o mundo queiram falar sobre a preservação da Amazônia sul-americana. "O mundo precisa entender que a Amazônia brasileira tem dono, e o dono é o povo brasileiro. São seringueiros, pescadores e nós que somos brasileiros", disse Lula em tom de recado aos que levantam dúvidas sobre a competência brasileira de gerir e preservar a região. O presidente também declarou que o Protocolo de Kyoto, para limitação das emissões de gases poluentes, "já faliu". Sem citar explicitamente os Estados Unidos, maiores poluidores do mundo e que se recusaram a assinar o Protocolo, Lula disse que "quem tinha de tomar as medidas, não referendou". Já o Brasil, lembrou, firmou o acordo. Ele também ressaltou que o Brasil está "oferecendo ao mundo o etanol", como oportunidade para uma matriz energética limpa.   Com a troca de ministros na pasta do Meio Ambiente essa discussão voltou à tona, com suspeitas sobre a capacidade do Brasil de manter a floresta de pé diante de projetos de desenvolvimento e do crescimento do agronegócio. Durante o discurso, Lula procurou mostrar que a questão ambiental é um desafio global e afirmou que o Protocolo de Kyoto "já faliu". "Foi muito bonito assinar, maravilhoso, mas quem tinha que tomar medidas para cumpri-lo não referendou", disse Lula, em referência direta aos Estados Unidos. O presidente aproveitou a oportunidade para reiterar que o programa brasileiro de biocombustível é uma alternativa para a redução da emissão de gases no planeta. "Nós estamos oferecendo ao mundo um combustível não poluente... Vamos convencer o mundo que o etanol pode ajudar na redução da poluição, na crise energética e na (redução da)inflação."   (Com informações da Reuters)

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