Amazonas perde R$ 21 mi ao ano para Rondônia

Madeira, gado e castanha são levados irregularmente ao Estado vizinho, diz governo

Liege Albuquerque, O Estadao de S.Paulo

02 de novembro de 2007 | 00h00

O Amazonas está deixando de arrecadar mais de R$ 21 milhões por ano em evasão de renda ao Estado vizinho de Rondônia. Em carretas, saem irregularmente do sul do Estado madeira, gado e castanha, segundo relatório preliminar feito nos últimos dois meses por comissão de membros do governo estadual, Fundação Nacional do Índio (Funai), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e outros órgãos.De acordo com o secretário de Produção Rural do Amazonas, Eron Bezerra, a missão do grupo é levantar problemas e apontar soluções. "A maior dificuldade é a total ausência do Estado, seja da União, do governo estadual ou municipal. Os três precisam se unir para ocupar a região que, além da evasão de divisas, sofre com as ameaças aos ribeirinhos feitas pelos traficantes ou madeireiros", disse.De início, apurou-se que o Estado perde aproximadamente 400 mil metros cúbicos de madeira, extraídos clandestina e irregularmente, que são levados para 47 serrarias de Rondônia, onde são beneficiados e comercializados.O gado e a castanha também têm o mesmo destino: anualmente, 300 mil cabeças são levadas para Rondônia, sem acompanhamento da Vigilância Sanitária Animal do Amazonas. Da castanha, cuja safra ocorre entre dezembro e março, 290 mil quilos são retirados de terras amazonenses, além da quantidade de produto catalogado. Os indígenas da região reclamam da falta de transporte em suas aldeias para a cidade de Extrema (RO) ou Rio Branco (AC), onde são jurisdicionados, uma vez que toda a sua documentação é tirada no Acre e não no Amazonas. Presença maior da Funai também é reclamada pelos indígenas.Até o início do ano que vem, após visitas aos oito municípios do sul do Amazonas (Apuí, Novo Aripuanã, Manicoré, Humaitá, Canutama, Boca do Acre, Pauini e Lábrea), o relatório final será apresentado, com sugestões de soluções, às superintendências nacionais dos órgãos participantes. Lábrea, o município que tem os maiores conflitos entre ribeirinhos, madeireiros e traficantes, ganhou um escritório com dois funcionários armados para encaminhar denúncias à capital.

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