Amaral assume amanhã Ministério do Desenvolvimento

Com dois anos e meio de existência, o Ministério do Desenvolvimento, criado no início do segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, vai ter a partir de amanhã o seu quarto titular. O embaixador Sérgio Amaral toma posse às 11 horas, mas numa conta mais rigorosa, será o quinto comandante dessa pasta de história atribulada. Amaral sucede Alcides Tápias, que foi antecedido por Clóvis Carvalho, que substituiu Celso Lafer, que inaugurou uma cadeira criada para Luiz Carlos Mendonça de Barros, que saiu do governo menos de 40 dias antes de ocupá-la.Uma seqüência de propósitos malsucedidos marca a história desse Ministério, que tem a missão de ser o principal interlocutor do governo federal com o setor privado. Mendonça de Barros liderava a corrente desenvolvimentista na época da reeleição de FHC, em contraposição à corrente monetarista, que saiu vitoriosa. Desta forma, o desenvolvimento ficou só no nome do ministério e não se refletiu em uma política de governo, por mais que tenham insistido nisso vários dos ocupantes do cargo.Durante décadas, a pasta se chamou Ministério da Indústria e Comércio. A primeira vez que ganhou o nome de Desenvolvimento, no final do governo Sarney, não deu sorte. Menos de um ano depois, Fernando Collor, em seu primeiro dia de mandato, extinguiu o ministério, que só foi recriado quase três anos depois, logo após o impeachment.O Ministério do Desenvolvimento é o responsável pela política de comércio exterior. Também é o responsável por áreas como o apoio às pequenas e médias empresas, promoção do turismo, controle de patentes, marcas e transferência de tecnologia, certificação de qualidade industrial (metrologia e normas técnicas), rotulagem de embalagens e as políticas para alguns produtos com importância histórica como café, açúcar e álcool.Celso Lafer, empresário dos setores de papel e de autopeças, mas que também se sobressai como intelectual e estrategista (atualmente é ministro das Relações Exteriores), elaborou o programa de trabalho do Ministério do Desenvolvimento publicado em livreto pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Ficou seis meses no cargo e não teve tempo para pôr em prática o seu livreto.Clóvis Carvalho, alçado da ante-sala do presidente Fernando Henrique Cardoso, onde era o chefe da Casa Civil, não chegou a completar um mês e meio no posto. Seu sucessor, Alcides Tápias, chegou com uma meta ambiciosa, reivindicada pelo empresariado, especialmente o de São Paulo: a reforma tributária. Agüentou quase dois anos no cargo, insistindo até o final, sem sucesso, com os argumentos de que um novo quadro tributário devolveria ao País o crescimento da produção e a competitividade nas exportações.

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