Amapá é pólo para migrantes e ambientalistas

A Escola Bosque de Bailique é uma das meninas dos olhos do governador João Alberto Capiberibe (PSB) e seu Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá (PDSA), que vem sendo implantado desde 1995 pelo governador João Alberto Capiberibe (PSB) e consiste em uma aposta de risco: fechar o Amapá para a exploração predatória da madeira e agricultura extensiva (como a soja), investindo na valorização das culturas tradicionais e procurando agregar valor à produção local.Com 97% de sua cobertura florestal ainda intacta, o Estado é atualmente a meca de ambientalistas e pesquisadores, que consideram o local um laboratório para o desenvolvimento sustentável na Amazônia. Somadas às experiências que estão sendo desenvolvidas no Acre, pela administração Jorge Viana (PT), o PDSA pode representar uma alternativa ao modelo tradicional de ocupação, baseada em exploração madeireira, pecuária e agricultura extensivas.A educação e capacitação técnica é talvez o principal pilar do Projeto, assim como o incentivo à implantação de fábricas para beneficiamento de produtos extrativistas. O maior exemplo é a fábrica de biscoito no meio da floresta em Iratapuru, reserva extrativista no sul do Estado. "No Bailique vamos ter, dentro de um ano, fábricas para beneficiamento de açaí e camarão. Será da floresta para o mundo", diz Janete Capiberibe, secretária da Indústria, Comércio e Mineração.Mas essa efervescência tornou o Amapá um pólo de atração de migrantes. Para o professor de economia da Universidade Estadual de Campinas, Ademar Romero, o grande desafio do Estado será conciliar o desenvolvimento sustentável com um crescimento populacional de 5% ao ano. "Atividades predatórias, como a pecuária extensiva, são sempre mais rentáveis, enquanto as atividades sustentáveis precisam de gestão, mão-de-obra preparada, presença do estado e sociedade civil organizada, capaz de fiscalizar e coibir a atuação da predação".

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