Joédson Alves/EFE
Joédson Alves/EFE

Alvos da Lava Jato vão à posse de Moraes

Políticos citados em delação e investigados lotam plateia no STF; ministro não comenta

O Estado de S.Paulo

23 Março 2017 | 01h04

BRASÍLIA - Diante de uma plateia de políticos alvo das investigações da Lava Jato, o ministro Alexandre de Moraes tomou posse nesta quarta-feira no Supremo Tribunal Federal, em Brasília.

Ele assume a vaga de Teori Zavascki, morto em janeiro, e herdará os 6,9 mil processos do antecessor – excluído o acervo da Lava Jato, redistribuído ao ministro Edson Fachin.

A cúpula ligada ao Planalto preencheu o plenário do Supremo para prestigiar a posse do ministro escolhido pelo presidente Michel Temer. Estiveram presentes Eliseu Padilha (Casa Civil), Aloysio Nunes (Relações Exteriores) e Bruno Araújo (Cidades) – todos citados nas delações da Odebrecht.

Também mencionados por executivos da empreiteira, o governador Geraldo Alckmin (PSDB); os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE); e os senadores José Serra (PSDB-SP) e Aécio Neves (PSDB-MG) foram à posse.

Parte da plateia já é investigada na Lava Jato, como o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), o ex-presidente José Sarney (PMDB) e o senador Edison Lobão (PMDB-MA). Após receber cumprimentos, Moraes se esquivou de perguntas sobre a operação. “Não vou comentar nenhum outro assunto que não a posse.” Ele não discursou, fez apenas um juramento.

O novo ministro afirmou que assume o cargo “com absoluta convicção” de que seu trabalho pode auxiliar o Supremo “na defesa dos direitos fundamentais, no equilíbrio entre os poderes, no combate à corrupção, no combate à criminalidade”. A solenidade teve a presença de Temer, da presidente do STF, Cármen Lúcia, e do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Polêmicas. Moraes chega ao Supremo depois de uma passagem conturbada na Justiça, marcada por crise no sistema penitenciário, destruição de pés de maconha e até antecipação de uma fase da Lava Jato.

Integrantes da Corte ouvidos no intervalo de um mês entre a nomeação e a posse disseram esperar que Moraes mude de estilo, deixando para trás os tempos de declarações controversas e assumindo a postura de um juiz constitucional. / RAFAEL MORAES MOURA, BEATRIZ BULLA, BRENO PIRES e VERA ROSA

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