Alvo do 'grupo da harmonia', Amapá vira terra sem lei

Oposição enfraquecida, cooptação de lideranças de poderes que deveriam fiscalizar o Executivo, pouco espaço para denúncias na imprensa local. A hegemonia política do chamado "grupo da harmonia", aliança feita no Amapá entre as principais autoridades locais, tem ajudado a transformar o Estado em palco de escândalos e prisões sucessivos sem que haja perspectivas de mudanças. A eleição atual, por sinal, vai contar com candidaturas de presos em operações da Polícia Federal (PF) no Amapá desde 2004.

AE, Agência Estado

22 de setembro de 2010 | 12h03

Além das candidaturas de Waldez Góes (PDT) ao Senado e da tentativa de reeleição do governador Pedro Paulo Dias (PP), ambos presos na Operação Mãos Limpas, concorrem ao cargo de deputado estadual João Henrique Pimentel (PR), ex-prefeito de Macapá pelo PT, e a deputado federal Sebastião Bala Rocha (PDT), ex-senador e secretário de Saúde, ambos presos na Operação Pororoca, de 2004.

As fraudes na saúde são apontadas desde a Pororoca sem que quase nada mudasse. Em 2007, durante a Operação Antídoto I e II, outros dois secretários foram presos por suspeitas em fraudes na compra de remédios - Uilton Tavares e Abelardo da Silva Vaz. Na Operação Mãos Limpas, o governador Pedro Paulo foi o quarto secretário seguido a ser preso por suspeitas em fraudes.

Acusação

Pedro Paulo, que foi preso na Operação Mãos Limpas no dia 10, disse ontem que, apesar de ter passado nove dias preso na superintendência da PF em Brasília, não foi interrogado em nenhum momento. Afirmou ainda que não há comprovação de que tenha cometido irregularidades. Seu pronunciamento, transmitido pela emissora do governo, foi contestado pela PF. Segundo fontes da polícia, ele foi interrogado, mas se recusou a falar, recorrendo ao direito de só dar declarações em juízo.

Candidato à reeleição, o governador e seu antecessor, Waldez Góes, foram presos com mais 16 pessoas no último dia 10. São acusados de corrupção, peculato, lavagem de dinheiro, ocultação de bens, tráfico de influência, fraude em licitações públicas e formação de quadrilha. O esquema, segundo a PF, seria comandado pelo governador e Góes. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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