Alvo de CPI na Câmara, BNDES distribui folheto a funcionários sobre temas polêmicos

Servidores receberam, na semana passada, um livreto com perguntas e respostas sobre polêmicas relacionando a instituição, como o financiamento de obras de construtoras brasileiras no exterior e a Operação Lava Jato

Vinicius Neder, O Estado de S. Paulo

18 de agosto de 2015 | 12h51

RIO - Incluído de vez na crise política após a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar sua atuação, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) distribuiu para todos seus funcionários, na semana passada, um livreto com perguntas e respostas sobre polêmicas envolvendo a instituição, como o financiamento de obras de construtoras brasileiras no exterior e a operação Lava Jato. 

No impresso, o banco nega que financie "países amigos" do governo e diz que os EUA são o principal destino dos empréstimos para exportação de serviços. Além disso, compara suas taxas com os juros cobrados pela SEK, a agência de fomento às exportações da Suécia, para o empréstimo à compra dos caças da Força Aérea Brasileira (FAB). Sobre o financiamento às empresas investigadas na Lava Jato, o BNDES ressalta que todas as operações têm "garantias sólidas".  

Após a instalação da CPI sobre o banco de fomento, no início deste mês, uma equipe do BNDES esteve na Petrobrás para entender como a estatal trabalhou na comunicação interna, externa e via redes sociais desde que a companhia entrou no foco do debate político, conforme apurou o Estado.

Segundo a introdução da publicação distribuída internamente, à qual o Estado teve acesso, o propósito do livreto é explicar "de maneira detalhada" as ações do banco, "corrigindo alguns equívocos que vêm sendo disseminados". "A leitura deste livreto pode ajudá-lo a contribuir com a disseminação de informações corretas e precisas sobre o BNDES", diz a introdução do impresso, que tem oito páginas.

As perguntas e respostas passam por todos os assuntos polêmicos envolvendo o BNDES. Além da própria CPI, lá estão a operação Lava Jato; o apoio a formação de multinacionais brasileiras, que ficou conhecido como política de "campeões nacionais"; suspeitas de tráfico de influência; o financiamento a obras de infraestrutura em outros países; a concentração de financiamentos à Odebrecht; os empréstimos ao grupo do empresário Eike Batista; sigilo bancário; transparência; e os aportes do Tesouro Nacional, que desde 2009 tornaram-se a principal fonte de recursos do banco.

Editado pelo Departamento de Divulgação, o livreto teve tiragem de 3 mil exemplares e foi distribuído para todos os empregados do banco de fomento. Segundo Fábio Kerche, assessor da Presidência do BNDES, a publicação foi exclusivamente uma ação de comunicação interna. 

Além disso, Kerche ressaltou que o conteúdo do livreto já fazia parte da estratégia de comunicação oficial do BNDES sobre esses pontos. As informações compiladas no impresso já vinham sendo usadas em notas oficiais à imprensa e postagens das redes sociais, como Facebook e Twitter.

O livreto começa dizendo que não há nenhuma denúncia contra o BNDES a ser apurada na CPI e que o banco não vai parar por causa das investigações. "Mas poderão surgir demandas por informações de sua área com mais frequência e urgência para serem atendidas", diz um trecho.

A operação Lava Jato é o último tema a ser citado. À pergunta sobre a possibilidade de o BNDES "quebrar junto" de empresas envolvidas que venham a falir, o texto responde que "todos os financiamentos" têm "garantias sólidas". O mesmo vale para os empréstimos às empresas de Eike: "o BNDES não teve nenhuma perda em suas operações de financiamento a empresas do grupo EBX".

Sobre a polêmica dos empréstimos para as obras no exterior, o BNDES refuta a comparação entre os juros praticados no Brasil e os oferecidos para outros países contratarem construtoras brasileiras e cita o financiamento da SEK ao Brasil, para a compra da nova geração de caças da FAB, fabricados pela Saab. Depois de uma disputa com o Ministério da Fazenda, a SEK aceitou diminuir os juros.

 

"A taxa era de 2,54% ao ano e caiu para 2,19% ao ano. Para que se tenha uma comparação, no financiamento às exportações brasileiras para o metrô de Caracas, na Venezuela, por exemplo, os juros cobrados pelo BNDES são de 4,62% ao ano", diz o livreto. / COLABOROU MÔNICA CIARELLI 

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