André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Alvo da Lava Jato, Aécio aposta hoje em reeleição no Senado

Segundo aliados, tucano é 'fortíssimo' candidato a disputar vaga em 2018, bem como na Câmara

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2017 | 18h12

BRASÍLIA - Um dos tucanos mais afetados pela delação da Odebrecht no âmbito da Operação Lava Jato, o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), voltou sua atuação política para Minas Gerais, Estado pelo qual é hoje, segundo aliados, candidato "natural" e "fortíssimo" à reeleição para o Senado em 2018.

O movimento vai no sentido contrário às articulações de outros tucanos que desejam disputar a Presidência da República no pleito de outubro do próximo ano, como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, também citado em delações da Lava Jato, e o prefeito da capital paulista, João Doria.

Alckmin e Doria travam uma disputa interna na candidatura do PSDB ao Palácio do Planalto. Para isso, ambos adotaram estratégia de nacionalizar ao máximo suas agendas políticas, em busca de visibilidade e apoio para tornar viável a candidatura.

"O Aécio hoje é candidato natural ao Senado. É uma candidatura automática, afirmou o deputado federal Domingos Sávio (PSDB-MG), presidente estadual do partido em Minas. Segundo o parlamentar, isso não significa que o senador tenha desistido dos planos de tentar o comando do Palácio Planalto. "É uma questão de prudência do homem público", disse.

Para Sávio, o político não pode deixar de ter um "plano B". "No PSDB, ninguém vai ser candidato só porque quer. Vai ter que ser o candidato que represente consenso. E será o candidato de consenso aquele que estiver melhor no ano da eleição", afirmou o deputado.

"Se ele não for presidente da República agora (em 2018), pode ser em 2022. O Aécio é novo. Se for governador ou senador agora, ele não está abdicando de ser presidente da República, ele está adiando o projeto", acrescentou o deputado federal.

Também aliado de Aécio, o deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) reforça o discurso e diz que o senador mineiro é hoje "candidato fortíssimo" a senador ou até a governador de Minas em 2018. "Mas temos a expectativa de que ele supere as adversidades momentâneas e possa ser candidato a presidente novamente", ponderou Abi-Ackel.

Articulação. Com o foco em 2018, Aécio reforçou sua atuação política em Minas Gerais. A agenda, porém, ainda é interna. Segundo aliados, o senador não participa de eventos públicos no Estado, dedicando-se mais a reuniões privadas com prefeitos e outros políticos mineiros. Encontros que Aécio faz questão de destacar em seu site oficial.

Em Minas Gerais, o grupo de Aécio acredita que ele tem hoje uma aliança "bem preservada" com PP, DEM, PPS e PTB para viabilizar sua candidatura a senador. O parlamentar mineiro também tenta atrair o apoio do PMDB, por meio do grupo do vice-governador de Minas, o peemedebista Antônio Andrade.

Esse apoio está condicionado, porém, ao resultado do julgamento do caso do governador Fernando Pimentel (PT) no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O petista, que pode ter o mandato cassado, é alvo de denúncia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, pela suspeita de receber propina de montadoras quando era ministro do Desenvolvimento do governo Dilma Rousseff.

"(Antônio Andrade) é um governador que fatalmente abrirá diálogo conosco. Isso pode mexer muito no quadro de Minas. De repente, o PMDB poderá até nos apoiar. Se ele assumir (o governo de Minas), fatalmente, assim como ocorreu aqui com (o presidente Michel) Temer, ele buscará nosso apoio", afirmou Sávio.

Nesse cenário, aliados de Aécio cobram uma presença física maior do senador no Estado, de onde se distanciou desde a campanha à presidência da República de 2014. O presidente estadual do PSDB organiza uma agenda de eventos públicos para o senador participar em Minas Gerais.

No Estado, Aécio vem sofrendo derrotas desde as eleições de 2014. Perdeu em seu Estado para a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e não conseguiu eleger seu candidato a governador, Pimenta da Veiga (PSDB).

No pleito municipal de 2016, o senador mineiro foi mais uma vez derrotado na disputa pela prefeitura de Belo Horizonte. O candidato apoiado por Aécio, João Leite (PSDB), ficou em segundo lugar, perdendo para Alexandre Kalil (PHS).

Deputado. Aliados de outros partidos afirmam que, para manter o foro privilegiado, Aécio cogita até candidatar-se a deputado federal em 2018. Dizem que, com as denúncias da Lava Jato, o senador "não tem condições" de andar nas ruas do Estado, sob o risco de ser hostilizado.

Tucanos rechaçam, porém, que Aécio possa disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Garantem que, em 2018, duas vagas ao Senado estarão em disputa: a de Aécio e a de Zezé Perrela (PMDB-MG), que também pretende disputar reeleição. "Para Aécio ser candidato ao Senado, basta ele querer", disse Sávio.

Em Minas, despontam hoje como possíveis adversários de Aécio ao Senado em 2018 nomes do PT e do PSB. Entre os petistas, são cotados os deputados federais Reginaldo Lopes e Patrus Ananias. Já no PSB, o nome que circula é o do ex-prefeito de BH Marcio Lacerda, que já foi aliado de Aécio.

Procurado, Aécio evitou comentar a declaração de aliados. "Como falamos em Minas, 'cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém'. Vejo uma dose de açodamento em relação a 2018, sobre o que só será decidido somente em 2018", afirmou o senador, por meio de sua assessoria de imprensa.

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