Alvo da Acrônimo fez pagamentos a empresa de André Vargas

Repasses da agência Pepper à LSI, que pertence ao ex-deputado e seus irmãos, constam nos autos da 11ª fase da Operação Lava Jato

TALITA FERNANDES , ANDREZA MATAIS / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2015 | 02h03

Alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal na Operação Acrônimo, a Pepper Comunicação Interativa fez repasses à empresa LSI Solução em Serviços Empresariais, alvo da Operação Lava Jato. A LSI pertence ao ex-deputado André Vargas e seus irmãos, suspeitos de terem participado do esquema de corrupção da Petrobrás.

Os pagamentos constam nos autos dos inquéritos da 11.ª fase da Operação Lava Jato, batizada de A Origem, deflagrada em abril deste ano. Nessa etapa da Lava Jato, a Polícia Federal deflagrou um esquema de desvio de recursos públicos operado principalmente pelos irmãos Vargas, envolvendo a agência de publicidade Borghi/Lowe.

Nos documentos constam cinco pagamentos que foram efetuados pela Pepper à LSI entre os anos de 2012 e 2013. No total, esses repasses somam R$ 98.865. Além da Pepper, o documento mostra repasses feitos por diversas agências que foram feitos em favor da LSI, a pedido da agência Borghi/Lowe. Apesar de a Pepper aparecer na lista de empresas que efetuaram pagamento à LSI, ela não é alvo da Lava Jato.

A Pepper nega que haja qualquer irregularidade nos pagamentos e diz que eles foram efetuados após um pedido feito por e-mail pela Borghi/Lowe, empresa da qual a Pepper era subcontratada. A agência afirma ainda que a subcontratação é prática comum no mercado publicitário e que esses pagamentos são referentes a um "bônus de volume", jargão utilizado para designar pagamento de comissões entre agências. "A Pepper foi contratada pela agência Borghi/Lowe para a realização de um trabalho publicitário, em 2012. O trabalho gerou para a Borghi/Lowe uma comissão legal e corriqueira no meio publicitário chamada bonificação por volume (BV). A Pepper recebeu orientação, via e-mail encaminhado pelo escritório da Borghi/Lowe, em Brasília, para fazer o repasse do valor devido para a empresa LSI Soluções em Serviços Empresariais Ltda, cuja propriedade e ligações desconhecia", diz em nota.

Nova etapa. A Pepper foi alvo de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal na quinta-feira, quando foi deflagrada a segunda etapa da Operação Acrônimo, que tem como um de seus principais alvos o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT). A suspeita é de que ele recebeu "vantagens indevidas" de Benedito Rodrigues, o Bené, que chegou a ser preso na primeira fase da operação. O ministro Herman Benjamin, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), relator do caso no Tribunal, autorizou ações nos escritórios da agência em Brasília, São Paulo e no Rio de Janeiro. No total, 19 locais foram alvos de busca e apreensão no Distrito Federal e em outros três Estados.

Investigadores suspeitam que a mulher de Pimentel, Carolina de Oliveira, possa ser sócia oculta da Pepper. A informação é negada tanto pela empresa quanto pela primeira-dama. Pimentel também tem negado as acusações.

 

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