Alves pede que deputados analisem seus 11 mandatos

Acusado de apresentar emendas parlamentares para favorecer a empresa de um ex-assessor, o candidato do PMDB à presidência da Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), pediu nesta quinta-feira aos deputados do Rio, durante almoço de campanha, que analisem os "onze mandatos e 42 anos como deputado" e não "um fato ou outro". Alves disse não saber se as acusações que tem enfrentado são "fogo amigo ou inimigo".

LUCIANA NUNES LEAL, Agência Estado

17 de janeiro de 2013 | 19h50

Atual líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves falou das denúncias no discurso que fez aos 25 deputados (22 titulares e três suplentes) de seis diferentes partidos presentes ao almoço, que teve a presença do governador Sérgio Cabral e do prefeito Eduardo Paes, também do PMDB. "Olhem para mim como um pedaço dela (da Câmara), como um cidadão, com erros e acertos", disse o deputado.

Em entrevista, Alves disse que Aluizio Dutra de Almeida, seus assessor por 15 anos e sócio da empresa Bonacci Engenharia "percebeu que estava gerando embaraços" e foi exonerado no início da semana. "Virou a página", disse o deputado.

O líder peemedebista defendeu a reedição da dupla Dilma Rousseff-Michel Temer na disputa presidencial de 2014. "A chapa do PMDB é Dilma e Michel. Nós somos governo. Com o governo bem avaliado como está, se continuar assim, o PMDB, com muito orgulho, vai continuar com Dilma e Michel", disse Henrique Alves.

"Não estou pedindo que os parlamentares traiam o seu partido, me deem um voto clandestino, por baixo do pano. Todos estão ali pelo voto popular, não tem ninguém nomeado. Meu lema é fazer ou fazer. Sei onde erramos, onde acertamos. Vi a Câmara altiva, envergada, falante, silente, conheço as omissões, as fragilidades", declarou o candidato ao final do almoço, antes de embarcar para São Paulo.

Compromissos genéricos

Embora os parlamentares do Rio tenham pleitos urgentes, como a divisão dos royalties do petróleo, Henrique Alves assumiu compromissos genéricos durante o almoço. "Infelizmente, ele falou muito pouco do que queríamos ouvir para o Rio", comentou o coordenador da bancada fluminense, deputado Hugo Leal (PSC). Organizador do almoço, em uma churrascaria da zona sul, Leal disse que cada participante pagou R$ 150. Estavam presentes 22 deputados titulares. A bancada do Rio na Câmara tem 46 deputados.

O governador Sérgio Cabral disse que aquele não era o momento de tratar das demandas do Estado. "Hoje vamos ratificar o apoio do Rio de Janeiro ao presidente Henrique Eduardo Alves. As questões regionais, que não são poucas, se dão depois. Seria uma enorme indelicadeza, não é o momento de colocas essas questões", disse.

Cabral também defendeu a eleição do deputado Eduardo Cunha (RJ) como líder da bancada do PMDB na Câmara. Cunha lançou-se candidato contra a vontade de Henrique Eduardo Alves e do vice-presidente Michel Temer e enfrenta outros dois candidatos, Sandro Mabel (GO) e Osmar Terra (RS). O vice-presidente temia que uma possível vitória de Cunha contrariasse a presidente Dilma Rousseff, que não tem simpatia pelo deputado. O próprio Temer, no entanto, conversou com Dilma sobre o futuro líder e disse que qualquer vencedor terá uma relação pacífica com o governo.

"Com todo respeito a um gaúcho e a um goiano, eu apoio o carioca", afirmou Cabral, que aproximou-se de Cunha no meio do ano passado, depois de um longo período de distanciamento. "Por mais que, do ponto de vista político, não tenhamos uma convivência muito próxima, temos respeito um pelo outro", disse Cabral sobre Eduardo Cunha.

Tudo o que sabemos sobre:
CâmarasucessãoAlvesdenúncias

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.