Alves alfineta PT e diz que reforma 'não é discurso'

Parlamentar lembrou que um grupo de trabalho chegou a elaborar uma proposta de reforma política no ano passado, que não foi votada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) por 'uma obstrução feita pelo PT'

RICARDO DELLA COLETTA, Estadão Conteúdo

28 de outubro de 2014 | 17h27

Brasília - Presidente da Câmara dos Deputados, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), alfinetou nesta tarde o PT e disse que a reforma política "não é apenas discurso". 

Alves, que disputou o governo do Rio Grande do Norte e foi derrotado por Robinson Faria (PSD), lembrou que um grupo de trabalho chegou a elaborar uma proposta de reforma política no ano passado, que não foi votada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) por "uma obstrução feita pelo PT".

"Não é apenas discurso de fazer", disse Alves. "É, na prática, tomar posições para perder ou para ganhar. Essa é uma manifestação que essa Casa tem obrigação, mais do que nunca, de votar", declarou o peemedebista. 

O grupo de trabalho ao qual Alves se refere foi coordenado pelo petista Cândido Vaccarezza. Apesar disso, o PT rechaçou os itens propostos pelo colegiado, como o aval para o financiamento privado de campanhas, com doações feitas diretamente a partidos políticos. 

Hoje, o líder do governo, Henrique Fontana (RS), disse que a proposta coordenada por Vaccarezza foi "sepultada" e argumentou que ela "não dialoga" com as necessidades do País.

Alves classificou a reforma política como algo "inadiável", mas seguiu seus correligionários e disse que ela deve ser discutida pelo Parlamento e depois submetida a um referendo. 

Em seu primeiro pronunciamento como presidente reeleita, Dilma colocou a reforma política como uma das suas prioridades para o segundo mandato, mas defendeu que um plebiscito seja convocado para que a população dê as diretrizes das modificações político-eleitorais. Menos de um dia depois, a cúpula do PMDB rechaçou a ideia de uma consulta popular anterior a uma discussão no Congresso. 

Mal-estar. Peemedebistas creditam a derrota de Alves na disputa ao governo do Rio Grande do Norte a uma declaração de apoio gravada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Robinson Faria. Apesar do mal-estar causado, o peemedebista minimizou a situação e disse que já "deletou" o caso. "A presidente Dilma manteve-se equidistante do processo, é uma conduta correta. Teve a participação de Lula, que foi uma surpresa", alegou. "Já deletei isso. Tenho maturidade e experiência para entender circunstâncias do momento".

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