Álvaro Lins retira recurso e cassação será votada nesta terça

Chefe da Polícia Civil na gestão Garotinho, ele é acusado, entre outros, de corrupção e lavagem de dinheiro

Felipe Werneck, de O Estado de S. Paulo,

11 de agosto de 2008 | 19h13

Em votação secreta, o plenário da Assembléia Legislativa fluminense deverá analisar nesta terça-feira, 12, à tarde o pedido de cassação do deputado estadual Álvaro Lins, que chefiou a Polícia Civil do Rio de 2000 a 2006, nos governos de Anthony Garotinho e Rosinha Matheus, todos do PMDB. Nesta segunda, Lins retirou o recurso que havia apresentado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa para tentar impedir ou pelo menos adiar a votação marcada para terça. "É possível retirar o recurso? (...) Pois então eu desisto. Isso tem que ter um fim. Quero ir ao plenário amanhã", disse ele, pouco antes de o recurso ser votado pela comissão. Denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) sob as acusações de formação de quadrilha armada, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e facilitação de contrabando, Lins foi preso no fim de maio durante a operação Segurança Pública S/A, da Polícia Federal (PF). Na ocasião, também foram cumpridos mandados de busca e apreensão na casa de Garotinho, acusado de ter dado sustentação política à "organização criminosa" supostamente comandada por Lins. A prisão, porém, durou pouco - ele foi solto no dia seguinte, por decisão de colegas da assembléia (40 votos a 15), que a consideraram, na época, "ilegal". A votação do projeto de resolução 663/08, do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, que recomenda a cassação do deputado, está prevista para as 16h30 desta terça. Serão necessários pelo menos 36 votos - maioria absoluta - para que Lins eventualmente seja cassado. Com o desgaste provocado pela soltura do deputado, em maio, a cassação era dada como certa no início do processo.  Nesta segunda, deputados ouvidos pela reportagem relataram a necessidade de quórum para aprová-la. Agora, é dada como certa a eventual cassação de outro mandato: o de Natalino Guimarães, preso em flagrante no mês passado sob a acusação de chefiar a milícia autodenominada Liga da Justiça, expulso do DEM na semana passada. O relatório aprovado pelo Conselho de Ética é baseado principalmente nas provas enviadas pela PF. O corregedor da Casa, deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB), comentou a decisão de Lins de retirar o recurso que havia apresentado na sexta-feira à CCJ: "Talvez o deputado tenha avaliado que politicamente teria menos desgaste assim." Lins nega as acusações. Nesta segunda, antes de retirar o recurso, ele alegou que houve cerceamento de defesa.

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