Álvaro Dias volta a negar acusação de ter vazado dossiê tucano

Aos membros da CPI, senador do PSDB diz que quem precisa dar explicações é a ministra da Casa Civil

Agência Senado,

03 de abril de 2008 | 11h06

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) voltou a negar nesta quinta-feira, 3, que tenha divulgado à imprensa o suposto dossiê com informações sobre gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O tucano disse aos demais membros da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Cartões Corporativos que quem precisa dar explicações é a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e não ele. "Não empurrem para mim o que fizeram de mau. Não joguem nas minhas costas a responsabilidade que eu não tenho", afirmou o senador.   Veja também: PSDB apresenta recurso para convocar Dilma ao Senado Governo usa 'rolo compressor' e oposição ameaça com nova CPI CPI rejeita pedido para governo divulgar dados sigilosos PSDB quer apurar vazamento de dossiê no governo Gastos com cartões já somam R$ 9 milhões em 2008 CPI pede lista dos titulares que sacaram dinheiro com cartão CPI terá dados que complicam ministros de Lula e FHC Documento do TCU não sustenta versão sobre 'banco de dados' CPI dos cartões: quem ganha e quem perde?  Entenda a crise dos cartões corporativos    Em seu blog, o jornalista Ricardo Noblat responsabilizou Dias pelo vazamento das informações. O senador afirmou que antes da divulgação do dossiê pela revista Veja já tinha conhecimento do dossiê, que não era mais novidade há tempos.   Aos membros da CPI, Álvaro Dias lembrou que o setor do Palácio do Planalto encarregado do levantamento de dados de governos anteriores é subordinado à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. "Busquem no Palácio do Planalto os responsáveis por esse crime de utilizar a maquina pública", insistiu Alvaro Dias.   Deputados governistas estão insistindo para que o senador deixe a CPI. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM) disse que Álvaro Dias será mantido na CPI. "Em nome da ética mantenho o senador Álvaro Dias e exijo explicações da ministra Dilma", afirmou Virgílio.   Dias leu trecho de uma nota da Agência Estado, do dia 19 de fevereiro, que informava que o Palácio do Planalto preparava um dossiê sobre gastos do governo Fernando Henrique. "A Agência estado adivinhou!", ironizou o senador. "Estão superestimando minha capacidade de ser bem informado", afirmou. O bate-boca entre governistas e oposição continua na CPI.     Foco   A presidente da CPI dos Cartões Corporativos, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), definiu o clima da reunião da CPI desta quinta como sendo de guerra. De um lado, a oposição que quer votar 34 requerimentos de convocação, incluindo o de Erenice Guerra, braço direito da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e apontada como suposta coordenadora do dossiê contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. De outro lado, a base aliada quer que o senador Álvaro Dias explique como teve acesso às informações contidas na papelada.   A presidente da CPI, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), afirmou nesta quinta, que apesar de algumas pessoas estarem afirmando que a CPI mista "já nasceu morta e perdeu o foco", é obrigação dela, bem como de todos os membros da comissão, apresentar um resultado dos trabalhos ao povo brasileiro.   "Não perdemos o foco. Tenho certeza que vamos continuar discutindo aquilo que é importante e que é o nosso foco; ou seja, saber os recursos gastos com cartões corporativos pelo governo federal", afirmou Marisa.   A senadora disse ainda que até hoje o governo não enviou à CPI os documentos solicitados e necessários para o prosseguimento das investigações. Ela afirmou que pretende aguardar as informações até a próxima segunda-feira, 7. "Se até essa data não estivermos de posse desses documentos, vou pedir à Mesa do Congresso para nos auxiliar na busca deles", garantiu a presidente.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.