Álvaro Dias quer que PF investigue confecção de dossiê

'Até porque se houve vazamento houve crime, PF tem tarefa de identificar quem ordenou', disse o senador

Evandro Fadel, Agência Estado

04 de abril de 2008 | 20h02

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) defendeu nesta sexta-feira, 4, em Curitiba, que a Polícia Federal assuma a investigação não apenas do vazamento do suposto dossiê a respeito dos gastos realizados pelo governo Fernando Henrique Cardoso, mas da confecção do documento. "Até porque se houve vazamento é porque houve crime, não haveria vazamento de algo que não existe e a Polícia Federal tem tarefa de identificar quem ordenou", afirmou. "As informações foram retiradas lá na Casa Civil, do banco de dados." Veja Também:Entenda o que é e como funciona o ITIDilma anuncia auditoria e fala em ação da PF sobre vazamentoTarso admite PF na investigação do vazamento de dados de FHCDilma volta à berlinda no caso dossiê FHC e cancela agenda Para 'Economist', Dilma pode ser 'bode na sala' para 2010Álvaro Dias diz que tudo foi 'armado' Dossiê com dados do ex-presidente FHC  Entenda a crise dos cartões corporativos Forúm: Quem ganha e quem perde com a CPI? Casa Civil faz 'caça às bruxas' para achar 'espião' do dossiê Oposição vai questionar Dilma sobre dossiê contra FHC em comissão Garibaldi lerá pedido que cria CPI no Senado   Ele disse que o fato de o ministro da Justiça, Tarso Genro, admitir a participação da PF na investigação é um "avanço". "Mas ainda não houve assentimento da Casa Civil porque a ministra (Dilma Roussef) deve estar com algum receio", ressaltou. Segundo ele, o governo tem receio da PF desde o caso do caseiro Francenildo dos Santos Costa. "O PT e o governo alegavam que o PSDB tinha comprado o caseiro para denunciar o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e quebraram o sigilo bancário para descobrir se tinha dinheiro do PSDB na conta do caseiro", disse. "Houve convocação da PF e descobriram os responsáveis pela quebra do sigilo, que culminou na demissão do presidente da Caixa Econômica e do ministro da Fazenda." O senador reclamou que o governo, até agora, preferiu criar uma comissão de sindicância, buscando auxílio no Instituto de Tecnologia da Informação (ITI). "Esse instituto pode dar sustentação técnica, mas é necessário a presença da Polícia Federal em toda a investigação, pois o vazamento é apenas o último lance de uma ação criminosa, ele é conseqüência e não causa", acentuou. "O que se deseja excluindo a PF é a instituição da hierarquia penal, ou seja, vamos penalizar subalternos, os cardeais nunca." Dias disse não ter acompanhado a entrevista da ministra Dilma Roussef na tarde de ontem, recebendo apenas um resumo do que ela falou. "Ela não tem condições de negar que existe dossiê até porque o governo já admitiu que existe, o ministro José Múcio (Relações Institucionais) já declarou que existe e que se tratava agora de apanhar o responsável", afirmou. "É uma prática do governo buscar responsáveis menores e poupar os maiores, se há responsável maior é quem comanda e esse setor é comandado pela Dilma."  Para ele, dois pontos "consagram" a existência do dossiê. O primeiro é que o documento que chegou ao conhecimento de parlamentares e da imprensa é diferente do banco de dados da Casa Civil, pois neste não aparecem nomes de pessoas responsáveis por gastos como no outro. "Isso configura a existência do dossiê preparado maldosamente para exploração de natureza política, a meu ver com objetivo de confundir a opinião pública, colocando os governos no mesmo patamar, e de intimidar a oposição", disse o senador. Segundo ele, também é emblemático o fato de o governo ter se "armado" do dossiê e fazer a CPI logo em seguida.

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