Aluno brasileiro consegue ler, mas não entende nada

O aluno brasileiro não compreende o que lê, revela oresultado do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa),divulgado hoje. Entre 32 países submetidos ao teste, o Brasil ficou emúltimo lugar. A prova mediu a capacidade de leitura de estudantes de 15anos, independentemente da série em que estão matriculados.?Esperava um desastre pior?, disse o ministro da Educação, PauloRenato Souza, ao anunciar o resultado. Em primeiro lugar ficou aFinlândia. Em penúltimo, à frente do Brasil, o México. Dos 32 paísesavaliados, 29 fazem parte da Organização para Cooperação eDesenvolvimento Econômico (OCDE) ? entidade que reúne naçõesdesenvolvidas, como os Estados Unidos ou o Reino Unido, e outras nemtanto, como a Polônia e a República Checa. Os demais paísesparticipantes foram Brasil, Letônia e Rússia.A prova foi aplicada no ano passado, envolvendo ao todo 265 milestudantes de escolas públicas e privadas. No Brasil, participaram 4,8mil alunos de 7.ª e 8.ª série do ensino fundamental e do 1.º e 2.º anodo ensino médio. O objetivo foi verificar o preparo escolar deadolescentes de 15 anos, tendo em vista os desafios que terão pelafrente na vida adulta. ErrosCom média de 396 pontos, numa escala que pode ultrapassar 626,os alunos brasileiros foram classificados no nível 1, o mais elementar.Ou seja, são considerados praticamente analfabetos funcionais, capazesde identificar letras, palavras e frases, mas não de compreender osentido do que lêem.Técnicos da OCDE que analisaram o resultado do Pisa concluíram que osestudantes brasileiros têm a tendência de ?responder pelo que acham enão pelo que efetivamente está escrito?. Numa das questões, porexemplo, o texto informava explicitamente que uma enfermeira aplicariauma vacina nos funcionários de uma empresa. Apesar disso, 27% dosalunos brasileiros responderam que a vacina seria aplicada por ummédico. Para os técnicos, ?a identificação da alternativa corretaexigia apenas uma leitura atenta do texto?. Atraso?A escola brasileira tem que ensinar o aluno a ler?, dissePaulo Renato. Ele atribuiu o mau desempenho ao atraso escolar, ou seja,ao fato de metade dos alunos de 15 anos submetidos à avaliaçãofreqüentar a 7.ª ou a 8.ª série ? quando, pela idade, já deveria terconcluído o ensino fundamental e estar cursando o 1.º ano do ensinomédio. ?Não é que o ensino seja ruim: há muita repetência?, disse ele,lembrando que 4 em cada 10 alunos de 1.º grau no País têm idade acimado previsto. O ministro voltou a defender o sistema de ciclos, em que a retenção sóocorre na 4.ª ou na 8.ª série, independentemente do rendimento escolardos estudantes. A presidente do Instituto Nacional de Estudos ePesquisas Educacionais, Maria Helena Guimarães de Castro, disse que ?acultura da repetência? só prejudica os alunos. ?O reprovado volta paraa mesma escola e tudo se repete?, afirmou ela.

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