Alto escalão do governo é alvo de espionagem, diz jornal

Funcionário do primeiro escalão do governo federal foram espionados pela empresa de investigação Kroll Associates, revela a manchete do jornal Folha de S. Paulo nesta quinta-feira. O trabalho foi encomendado pela Brasil Telecom, empresa que é controlada pelo banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. Segundo a reportagem do jornal, o objetivo ?formal? da espionagem era investigar a Telecom Italia, empresa que disputa com o banco a Brasil Telecom. Contudo, as investigações atingiram membros do governo.Foram identificados e-mails de Luiz Gushiken (atual ministro da Comunicação), anteriores à posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para o ex-sócio do Opportunity, Luiz Roberto Demarco, com quem Dantas trava hoje batalha judicial. Em um dos e-mails, Gushiken oferece a Demarco ajuda na obtenção de aliados dentro da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que o ajudassem na disputa contra Dantas. Gushiken confirmou à reportagem da Folha a existência deste e-mail, mas disse que considera as investigações ?ilegais e sórdidas?.A espionagem da Kroll atingiu também o encontro do presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb, com executivos da Telecom Italia. O encontro ocorreu já no governo Lula. Segunda a reportagem da Folha, não há informações sobre o objetivo do encontro. Mas a interpretação da Kroll é de que Casseb se opõe aos interesses de Daniel Dantas dentro do governo.O fato é que Gushiken e Casseb formularam a orientação, já no governo Lula, para que cinco fundos de pensão de estatais, que são acionistas da Brasil Telecom, desfizessem, em outubro de 2003, ?os acordos de acionistas que permitem ao Opportunity controlar a companhia?. Essa orientação aconteceria mesmo sendo Dantas apenas um sócio minoritário. A Polícia Federal ficou sabendo da espionagem pela Telecom Italia, que disse ter recebido os relatórios da Kroll por um anônimo. A Brasil Telecom confirmou a contratação da Kroll, mas negou que o objetivo fosse atingir autoridades. A empresa Kroll diz que ?não espiona governos?. Para o governo, segundo reportagem da Folha, trata-se de ?um dos mais sofisticados trabalhos de contra-investigação da história da arapongagem corporativa?.

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