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Alternativa aos coronéis, Sânia foi parar na cadeia

Primeira mulher a governar o município de Anadia, ela é acusada de mandar matar ex-aliado

Leonencio Nossa - O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2013 | 16h00

Em 2008, dois anos antes de Dilma Rousseff chegar à Presidência da República, a também petista Sânia Tereza Palmeira Barros Teixeira fazia história ao ser eleita prefeita de Anadia, cidade de 17 mil habitantes a 94 quilômetros de Maceió. Primeira mulher a governar o município, ela desbancou políticos tradicionais e tornou-se a aposta do PT no agreste de coronéis. Mas os primeiros anos do mandato de Sânia foram marcados por divergências com a Câmara Municipal, incluindo a bancada aliada, e acusação de desvio de verbas.

Em meio ao desgaste político de Sânia, em 3 de setembro de 2011, sábado, o vereador e médico Luiz Ferreira de Souza (PPS), 61 anos - até então um aliado da prefeita -, anunciou num programa de rádio na cidade vizinha de Marimbondo que disputaria com ela o comando de Anadia nas eleições de 2012.

Depois da entrevista, Souza voltou num Siena prata para Anadia. Na rodovia AL-450, perto do povoado de Tapera, parou para atender um pedido de socorro - uma pessoa estaria passando mal na estrada. Era uma emboscada. Antes de Souza sair do carro, um homem disparou 13 tiros de pistola 9mm no vidro da frente, atingindo a cabeça do vereador.

O crime causou comoção em Anadia. A prefeita decretou luto oficial e foi ao velório de Souza consolar a família. Em entrevista, a prefeita chorou. "Estamos consternados com esta barbárie." Nove dias depois, a polícia prendeu Sânia e o marido, Alessander Leal, o Gaúcho. Após uma investigação, que incluiu rastreamento de celulares de várias pessoas, a polícia descobriu que o casal se comunicou com policiais e pistoleiros no período de uma semana antes até momentos depois do ataque.

Desvios. Dias antes do crime, a Câmara discutia a cassação do mandato de Sânia, suspeita de desviar R$ 7 milhões da prefeitura, e Luiz Souza avisara que votaria contra a prefeita. Presa numa cela do presídio Santa Luzia, em Maceió, Sânia teve o mandato cassado, mas não abandonou o jogo político: lançou o filho, Raymir, candidato à prefeitura pelo PSD, em coligação com PT e PMDB. O herdeiro foi eleito.

O juiz de Anadia, Helestron Costa, decidiu que Sânia e Alessander vão a júri popular como mandantes do crime. O julgamento ainda não tem data marcada. Walemberg Wanderson Torres, apontado como autor dos disparos, está foragido. Foram citados no processo outros três pistoleiros, que admitiram ter recebido R$ 5 mil pelo crime. Procurada, Sânia Tereza preferiu não fazer comentários. Ela está em prisão domiciliar em Maceió.

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