Alternância no poder é importante, diz presidente

Lula afirma que ?a oposição está zangada porque sabe que tem candidata?, em referência a Dilma, e avisa que agora ?é a hora e a vez das mulheres?

TÂNIA MONTEIRO e RICARDO BRANDT, O Estadao de S.Paulo

13 de junho de 2009 | 00h00

Escoltado pelo deputado Jackson Barreto (PMDB-SE), autor da emenda do terceiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, em Sergipe, que "o Brasil não precisa ter terceiro mandato, precisa consolidar a democracia". Lula afirmou que "a oposição fica nervosa, zangada porque sabe que tem candidata", referindo-se à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, mas sem citar seu nome. "Eu já cumpri a minha obrigação e quero terminar meu mandato feliz e torcer para quem vem depois de mim."Em clima de campanha, o presidente cumpriu três agendas no Estado, sempre ao lado do governador Marcelo Deda (PT), e do ministro da Educação, Fernando Haddad. Tanto em Lagarto, como em Laranjeiras, onde fez seu primeiro evento, Lula repetiu a linha do discurso que fez em Aracaju. "É a hora e a vez das mulheres", discursou, numa referência explicita à candidatura Dilma."Eu quero dizer que meu mandato está terminando em 2010, mas eu acho que está chegando a hora e a vez das mulheres", disse o presidente, em Lagarto, 130 quilômetros da capital sergipana. "Eu estou vendo que as mulheres estão querendo dar a volta por cima."Em atos públicos onde anunciou obras para o Estado, Lula lembrou, numa referência à oposição ao seu governo, que "está chegando o momento em que vocês vão ver e ouvir falar muita bobagem na TV". O presidente acrescentou: "Meus adversários achavam que meu governo ia ser um fracasso pelo fato de eu não ter estudado e que logo iam voltar."Lula disse que quer eleger alguém que possa fazer pelo Brasil mais do que ele fez. Ele criticou seus antecessores e adversários, citando que "os letrados" fizeram muito menos pela educação do que ele "que não tem curso universitário". De acordo com o presidente, ainda falta um ano e meio para terminar seu governo e "ainda tem muita coisa para acontecer neste tempo". BALANÇOSLula fez balanços de seu governo, principalmente na área de educação, e avisou que no dia 31 de dezembro de 2010 todos os ministros vão apresentar dados de tudo o que foi feito, com registro em cartório. Voltou a atacar as elites e lembrou que concorreu três vezes pois "precisava ser eleito porque queria provar que tinha mais competência do que eles para governar o País".Ao comentar que seu governo está "recuperando o desmazelo de muita gente que governou o País", Lula disse ainda que "a verdade é que pobre só é utilizado em época de eleição". E emendou: "Não tem nada que tenha mais valor do que pobre em época de eleição, cumprimenta até quem está na carrocinha catando papel de rua mas, depois, esquece o pobre."O presidente defendeu a tese da candidatura feminina, sem citar o nome de Dilma, e ainda atacou os adversários ao citar suas conquistas na educação. "Fiquem tranqüilos que nós vamos eleger quem vai ficar no meu lugar para fazer mais do que eu fiz na educação, na saúde e ajudar mais o Estado do Sergipe. Porque aprendemos muito e agora sabemos o caminho das pedras para as coisas acontecerem no Brasil."Em Lagarto, onde anunciou a construção de uma unidade da Universidade Federal do Sergipe, Lula atacou seus adversários, sem citar partidos, ressaltando seus feitos na educação. Segundo ele, a oposição "torce" para seu insucesso. "Tem sempre gente que acha que a vaca vai para o brejo. Ficam torcendo ?o Lula vai dar errado, o Lula não pode dar certo?, enquanto deveriam torcer é para o Brasil dar certo", declarou a uma multidão de quase 10 mil pessoas, muitas do MST.Ele manteve a linha de ataques ao PSDB. "Não sei se vocês viram o programa do adversário ontem ou anteontem. Eles ficam nervosos, porque é um homem que, do ponto de vista da sociologia, não estava escrito que poderia chegar ao poder e chegou", afirmou. Lula defendeu suas ações no Nordeste. "Isso não é competência minha, é do povo que acreditou. O povo está com a auto-estima elevada, ninguém tem mais vergonha de dizer que é nordestino, nem negro ou brasileiro."O presidente brincou com o empréstimo anunciado pelo governo ao FMI. "Antigamente, as pessoas ficavam de joelhos para o FMI, agora eu emprestei US$ 10 bilhões para o FMI", disse. "Pega aí", completou, com um gesto como se entregasse uns trocados a alguém.

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