Fabio Motta/ Estadão
Fabio Motta/ Estadão

Ciro Gomes diz que vai pacificar a família brasileira

Candidato do PDT argumentou que extremismo vigente hoje no Brasil é 'muito negativo'

Nayara Figueiredo, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2018 | 12h29
Atualizado 30 de setembro de 2018 | 19h58

O candidato à Presidência pelo PDT nas eleições 2018, Ciro Gomes, disse neste domingo, 30, que tem condições de “pacificar a família brasileira”. “Esse extremismo é muito negativo”, afirmou durante evento com representantes do segmento da saúde em São Paulo. Ele também falou que a recente valorização do dólar ante o real contribuiu para a inflação da área da saúde e ouviu propostas de representantes do setor. "Praticamente todos os insumos são importados e, com o câmbio, já há uma inflação de 32% no setor", disse. 

O pedetista ainda enfatizou seu descontentamento com as condições da saúde brasileira. "Em 38 anos de vida pública, nunca me assustei tanto com o cenário do Brasil. A situação do SUS (Sistema Único de Saúde) está em colapso", ressaltou.

A Proposta de Emenda à Constituição nº 55 (PEC 55), que prevê o congelamento do orçamento para gastos primários, novamente foi citada pelo candidato como um fator que colabora para a manutenção dos problemas da área da saúde. "A política de teto de gastos limita investimentos", criticou.

Ciro recebeu informações de diversos representantes do setor que citavam, por exemplo, os locais onde faltam médicos no País. Em resposta, ele se comprometeu a analisar todos os pleitos e, se eleito, lutar por saúde de qualidade. 

Ciro vê intenção de golpe em declarações de Bolsonaro

O candidato do PDT disse, no mesmo evento, que a declaração do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) de que não aceitaria o resultado da disputa eleitoral, caso não saísse vitorioso, "deixou claro o anúncio de um golpe".

Na sexta-feira, Bolsonaro disse em entrevista ao apresentador José Luiz Datena, do programa Brasil Urgente, da TV Bandeirantes, concedida do quarto do hospital Albert Einstein, onde se recuperou de um atentado à faca sofrido no início deste mês, que não poderia falar pelos comandantes militares, mas pelo que via nas ruas, não aceitaria um resultado diferente da sua eleição. Ele ainda reiterou que a única possibilidade de vitória do PT viria pela "fraude".

"Somando a fala de Bolsonaro com as declarações anteriores do vice, general Mourão, sobre a criação de uma nova Constituição, e 'juntando lé com cré' percebemos a iminência de um golpe", argumentou Ciro.

O candidato do PDT afirmou que os extremismos entre o PT e Bolsonaro vão levar o País a uma guerra civil, como na Venezuela. Bolsonaro e Fernando Haddad (PT) permanecem na primeira e segunda colocação, respectivamente, nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência. "Eu reagi, enquanto Haddad ficou calado", alfinetou Ciro, novamente em referência às declarações de Bolsonaro.

Quanto às manifestações ocorridas ontem (29) contra o presidenciável do PSL, Ciro disse que "as mulheres brasileiras vão salvar o País desse precipício", que seria uma eventual vitória de Bolsonaro. "Ele já foi derrotado graças ao valor da mulher brasileira", acrescentou. Os protestos iniciados na internet com as hashtags #EleNão e #EleNunca foram promovidos pelo eleitorado feminino.

"Bolsonaro, agora você já está de alta médica e não tem mais desculpas. Te espero hoje à noite no debate", arrematou Ciro, sobre o debate que será realizado neste domingo na Rede Record.

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