Alta de preços eleva gastos do programa alimentar da ONU em 40%

O acelerado aumento dos preçosmundiais dos alimentos e do petróleo elevou em quase 40 porcento os gastos do Programa Mundial de Alimentos da ONU, dissena quinta-feira a diretora-executiva Josette Sheeran, alertandoque a agência terá de rever as operações se não receber maisdoações de governos. O PMA, cuja meta neste ano é alimentar 73 milhões depessoas em 80 países, é financiado exclusivamente com doaçõesvoluntárias. Suas atividades se ressentem, por exemplo, do fatode o preço do arroz ter quase triplicado neste ano naTailândia, maior exportador mundial, e de o barril do petróleoter batido em 120 dólares nesta semana. Falando a jornalistas por teleconferência desde Roma, sededo PMA, Sheeran disse que a agência precisaria receber 755milhões de dólares adicionais para manter projetos previstosneste ano. Há dois meses, a estimativa era de 500 milhões dedólares. O aumento dos preços também gera mais pedidos de ajuda,totalizando 418 milhões de dólares até agora. Isso inclui os 77milhões de dólares solicitados pelo Afeganistão para alimentar2,5 milhões de "pessoas recente e urgentemente famélicas", alémde ajuda para refugiados iraquianos na Síria e outros países. Ao todo, o valor dos pedidos de ajuda ao PMA para 2008subiu a 4,3 bilhões de dólares. Sheeran afirmou que ainda épossível que cheguem solicitações de lugares como o Haiti, ondeneste mês houve violentos protestos contra o preço dosalimentos. Se a lacuna no financiamento não for preenchida, disse ela,"precisaremos reescalonar nas próximas semanas nossasatividades que já estão avaliadas e decididas". O PMA costuma receber verbas ao longo do ano. Mas aassessora de imprensa Bettina Luescher disse que até agora sóapareceram 1 bilhão de dólares, menos de um quarto do totalnecessário para 2008. Ela atribuiu o aumento dos preços a uma "perfeitatempestade" de fatores, como a mudança no padrão alimentar doschineses, que agora consomem mais carne, o preço elevado dopetróleo, transtornos climáticos em várias regiões e o uso deterras aráveis para a produção de biocombustíveis. Mas ela disse que em longo prazo está otimista, "porque omundo sabe como produzir comida suficiente". Na África, por exemplo, a produtividade agrícola tempotencial para crescer dez vezes, até alcançar a média mundial,o que seria possível com investimentos nacionais e estrangeirosem agronomia e infra-estrutura. "Acho que agora estamos vendoum foco muito maior nessas soluções de longo prazo", disse.

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