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Alstom receberá multa recorde de US$ 700 mi nos EUA por corrupção

Justiça americana vai aplicar pena à multinacional citada no cartel de trens de São Paulo por caso de propinas na Indonésia

Jamil Chade, correspondente

16 de dezembro de 2014 | 17h08

GENEBRA - A gigante francesa Alstom, investigada no caso do cartel dos trens de São Paulo, vai ser obrigada a pagar uma multa recorde nos EUA por conta de um caso de corrupção. Fontes próximas ao caso revelaram que o Departamento de Justiça dos EUA está prestes a fechar um acordo que envolveria uma multa de US$ 700 milhões, a mais alta já imposta sobre uma empresa por pagar propinas a funcionários públicos no exterior.

O acordo pode ser anunciado antes do final do ano, ainda que oficialmente a empresa se recusa a comentar o caso.

A acusação da Justiça americana é de que executivos da Alstom se aliaram à empresa japonesa Marubeni Corp para distribuir propinas a deputados e autoridades na Indonésia em troca de um contrato público de US$ 118 milhões. Pelo menos três executivos da Alstom já admitiram culpa no caso, que envolvia uma usina de energia na ilha de Sumatra. A obra foi entregue em 2007.


Se confirmada a multa de US$ 700 milhões, ela será superior ao recorde anterior. Em 2008, a Justiça americana aplicou uma multa de US$ 450 milhões sobre a Siemens, também por corromper funcionários públicos no exterior.

Pela lei americana, empresa com negócios nos EUA que sejam suspeitas de agir de forma ilegal podem ser criminalmente atacadas, mesmo que não sejam americanas.

No processo que acontece nos EUA contra a Alstom, promotores indicaram que as suspeitas também apontam que a corrupção na empresa francesa também visou autoridades na Índia e na China.

Em junho, a Alstom concordou em vender parte de seus negócios no setor de energia para a General Electric.

No Brasil, a Alstom foi alvo da decisão da Justiça Federal de bloquear R$ 614,3 milhões das contas de cinco multinacionais e de uma empresa brasileira acusadas de participarem do cartel metroferroviário que teria operado entre 1998 e 2008 em São Paulo.

 

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