Andre Dusek/Estadão
Andre Dusek/Estadão

Aloysio: ação de Dilma em CPI da Petrobras será apurada

O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), candidato a vice na chapa presidencial do tucano Aécio Neves, afirmou que seu partido irá apurar as responsabilidades da presidente Dilma Rousseff na denúncia de que seu governo e lideranças do PT teriam treinado os principais depoentes da CPI da Petrobras que investiga contratos superfaturados da estatal, como a compra de uma refinaria em Pasadena, nos EUA. "Vamos apurar, pelo menos, a responsabilidade moral de Dilma neste episódio", garantiu.

ELIZABETH LOPES, Estadão Conteúdo

03 de agosto de 2014 | 15h21

O senador tucano, que participou neste domingo, 3, de agenda da campanha de Aécio Neves, em São José dos Campos (SP), disse que é preciso investigar a presidente Dilma neste episódio porque "é impossível que ela não soubesse que estava se armando este crime contra uma instituição da República". Aloysio disse que já conversou com o senador Agripino Maia, presidente nacional do DEM e coordenador-geral da campanha de Aécio Neves à Presidência da República, e as ações serão impetradas conjuntamente pelo PSDB com os partidos de oposição, como o Democratas.

"Vamos já nesta segunda-feira, 4 entrar com várias representações", destacou. E citou que algumas dessas representações serão contra "os funcionários do Senado que participaram deste conluio, contra os parlamentares que agiram como bonecos de um teatro de marionetes e contra os funcionários da Secretaria de Relações Institucionais". Ao falar da secretaria, o senador do PSDB disse que o titular da pasta, ministro Ricardo Berzoini, "já esteve implicado no escândalo dos aloprados", suposto dossiê confeccionado por lideranças petistas contra os candidatos tucanos nas eleições gerais de 2006.

Afastamento do relator

Aloysio Nunes defendeu, ainda, o afastamento do relator da CPI da Petrobras no Senado, José Pimentel (PT-CE), "porque ele foi uma das peças-chave dessa armação". E considerou muito grave a denúncia, divulgada pela revista Veja, porque no seu entender ela representa uma fraude contra uma instituição do Congresso Nacional. "Imagino se isso acontecesse no congresso norte-americano, o que o presidente do Senado dos EUA faria?", indagou, cobrando também providências de Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado brasileiro.

A denúncia da revista Veja desta semana, informando que o governo e lideranças do PT teriam passado previamente para os principais depoentes da CPI da Petrobras, dentre eles a presidente Graça Foster e outros ex-diretores da estatal, perguntas que seriam feitas por parlamentares, com o intuito de combinar as respostas, tem como base um vídeo de uma reunião entre José Eduardo Sobral, chefe do escritório da Petrobras em Brasília, com o advogado da empresa, Bruno Ferreira, além de outra pessoa não identificada. A comissão de inquérito foi aberta no primeiro semestre deste ano depois de denúncias sobre contratos superfaturados da Petrobras, incluindo a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA.

Para Aloysio Nunes Ferreira, essa "armação é uma confissão de culpa da Presidência da República, com relação a todos os desmandos ocorridos na Petrobras". Segundo ele, o governo vem procurando "abafar esses escândalos de todas as formas". E disse que o episódio representa algo "muito feio, pois é como um estudante que vai para o exame levando cola".

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