'Aloprado' do PT volta a ser preso em esquema de desvio de verba

Valdebran Padilha já havia sido preso em 2006 com outros dois petistas ao tentar comprar um dossiê contra José Serra

FÁTIMA LESSA, Agência Estado

07 de abril de 2010 | 20h33

O ex-tesoureiro do PT em Mato Grosso, Valdebran Padilha, juntamente com seu irmão Valdenir Padilha, e os coordenadores das Ocips Instituto Creatio, Luciano do Carvalho Mesquita e do Idheas, Valério do Nascimento, foram presos durante a operação Hygea desencadeada nesta quarta-feira, 7, pela Polícia Federal. Os quatro formariam o núcleo intelectual, segundo agentes federais, de uma organização especializada no desvio de verbas federais da Funasa, Ministério da Saúde e Ministério das Cidades destinados à área da saúde em Mato Grosso e com ramificações nos estados de Minas Gerais, Rondônia e Brasília. O presidente do diretório regional do PT em Cuiabá, Carlos Abicalil, informou que Valdebran Padilha já deixou o partido, sendo portanto um ex-petista.

 

Esta não é a primeira vez que Padilha tem problemas com a Justiça. Durante a campanha eleitoral de 2006, Padilha foi preso junto com os também petistas Gedimar Passos e Hamilton Lacerda, em posse de R$ 1,75 milhão. Os três tentavam comprar um suposto dossiê que incriminaria o então candidato ao governo do Estado de São Paulo, José Serra (PSDB). Após a malfadada operação, Lula apelidou os três "aloprados".

 

Também foram presos o ex-prefeito de Santo Antonio de Leverger, Faustino Dias (cassado pelo TRE por compra de votos), o secretário de Saúde de Tangará da Serra, Mário lemos, o coordenador da Funasa, Marco Antonio Stangherlin, o empresário da CHC Táxio Aereo, Francisco Salvador além de dirigentes do PMDB de Mato Grosso, Rafael Bastos, secretário geral do diretório estadual, Carlos Miranda, tesoueiro e José Luís Bezerra, sobrinho do deputado federal, Carlos Bezerra.

 

A operação em parceria com a CGU desmontou um esquema que teria causado um prejuízo comprovado através de auditorias internas da Controladoria Geral da União (CGU) de R$ 52 milhões. Segundo coordenador geral da CGU em Mato Grosso, Israel Carvalho, o valor total pode ultrapassar R$ 200 milhões.

 

A delegada responsável pelas investigações, Heloisa Albuquerque, disse que o esquema de fraudes e desvio do dinheiro funcionava através de núcleos operacionais distintos e independentes, hierarquicamente estruturado voltado ao desvio e apropriação dos recursos públicos: o núcleo intelectual empresarial comum, dos servidores e o operacional.

 

Em entrevista coletiva, os federais e o coordenador auditor da CGU disse que o primeiro esquema desenvolvia--se na Funasa/MT Servidores lotados em postos estratégicos - divisão de administração, setor de logística e divisão de licitação) e a direção do órgão promovem o direcionamento das licitações que envolveriam contratos de maiores valores às empresas do núcleo empresarial intelectual beneficiado. Os contratos são executados com valores superfaturados para o tipo de serviço e pagamento de serviços não efetuados.

 

O outro núcleo contava com a ajuda dos servidores, como braços operacionais do grupo. Os assessores políticos como Rafael Bastos e Carlos Miranda e Luis Bezerra são acusados de direcionar os contratos e as emendas parlamentares para as obras supostamente irregulares. O petista Valdebran Padilha e o irmão Valdenir Padilha, donos da empresa Engesa, seriam responsáveis por obras licitadas e não executadas em Santo Antonio de Leverger. O advogados dos irmãos Padilha, Roger Fernandes, disse que seus clientes estão sendo acusados Os dois foram interceptados em gravações telefônicas com o fundados do Instituto Creatio, Romilton Souza Carlos. Ele disse que seus clientes confirmaram que aplicaram todos os recursos recebidos. Os irmãos Padilha, os coordenadores das OCIPS e o empresários forma ouvidos e encaminhados para a Polinter.

 

O terceiro núcleo seria o da participação das OCips que seriam contratadas para gerir são contratadas por alguns Municípios de Mato Grosso e Minas Gerais para gerir os programas de Saúde Indígena, Saúde da Família (PSF), Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e Unidades Municipais de Saúde (UMS).

 

Ao todo, a PF cumpre 35 mandados de prisão temporárias e 76 de busca e apreensão. A Justiça Federal também determinou o bloqueio de contas, apreensão de dinheiro, jóias e automóveis. Os acusados responderão pelos crimes de formação de quadtrilha, estelionato, fraude em licitações, apropriação indébita, lavagem de dinheiro, peculato, corrupção ativa e passiva, prevaricação. Quatro pessoas estão foragidas. Os advogados tentarão revogar as prisões. Todos alegam inocência dos clientes e entraram com pedido de revogação das prisões temporárias.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.