Almirantes reclamam da falta de verba da Marinha

Na cerimônia de transmissão de cargo no Comando da Marinha, o almirante que sai, Roberto Guimarães Carvalho e o que entra, Julio Soares de Moura Neto, foram unânimes em destacar as dificuldades da Marinha, por causa da falta de recursos, e de investimentos no aparelhamento da Força. "A Marinha que estou passando à Vossa Excelência não é a que eu gostaria de passar, mas é a que foi possível manter e aprestar. Que os ventos lhe sejam mais favoráveis e o estado do mar mais tranqüilo", disse Carvalho, que aproveitou para ressaltar as três principais preocupações durante sua gestão: remuneração do pessoal, orçamento e reaparelhamento da Força.Sobre remuneração, o ex-comandante reconheceu que foram concedidos reajustes superiores às taxas de inflação no período, mas que não foram recuperadas as perdas anteriores. Hoje, segundo o almirante, os militares são aqueles de menor remuneração média, quando comparados aos integrantes de várias outras carreiras do Estado.Em relação ao orçamento, o almirante Carvalho disse que, apesar de a partir de 2004 ter havido melhora no repasse de recursos, é elevada a desproporção entre o que a Força necessita e o que é alocado. "O simples cumprimento da lei (de repasse) dos royalties do petróleo resolveria essa questão", afirmou.O novo comandante, almirante Moura Neto, defendeu que o Brasil precisa de uma Marinha corretamente dimensionada e equipada para poder cumprir o seu dever e que para isso são necessários recursos e meios. "Infelizmente não é o que vem ocorrendo. O orçamento tem ficado aquém do que é preciso, acarretando a perda da nossa capacidade operacional. Em médio prazo, caso seja mantida essa tendência, a situação tornar-se-á crítica", afirmou.Ele reiterou o problema do não repasse do recursos dos royalties do petróleo. Segundo ele, para reverter essa "insustentável situação", é "imprescindível a implementação do programa de reaparelhamento da Marinha.Depois de ouvir os discursos dos dois almirantes, o ministro da Defesa, Waldir Pires, disse que será uma voz dentro do governo para defender a liberação dos recursos. "Seremos companheiros dessas aspirações", afirmou o ministro, ao lembrar que o presidente Lula já foi informado das dificuldades da Marinha.O programa de reaparelhamento,segundo o novo comandante, prevê em 10 anos investimentos de R$ 5 bilhões.

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