Alaor Filho/AE
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Almirante preso na Lava Jato é referência na área nuclear

Othon Luiz Pinheiro da Silva, acusado de ter recebido R$ 4,5 mihões de empreiteiras ligadas às obras de Angra 3, é engenheiro naval com especialização em energia nuclear no MIT e já ganhou reconhecimento por mérito da Presidência da República

T.F., ANDRÉ BORGES e JOSÉ MARIA TOMAZELA, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2015 | 02h03

A prisão temporária do presidente licenciado da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, surpreendeu a comunidade científica - o vice-almirante da reserva da Marinha é reconhecido como um dos mais importantes especialistas do mundo no domínio do complexo ciclo do combustível nuclear -, no caso do Brasil, o urânio enriquecido.

Engenheiro naval pela Escola Politécnica de São Paulo, formado em 1966, com especialização em engenharia nuclear no Massachusetts Institute of Technology (MIT), Pinheiro da Silva é considerado referência internacional na pesquisa sobre o controle da tecnologia do ciclo completo do combustível nuclear.

É autor do projeto de criação das ultracentrífugas usadas no programa de enriquecimento do urânio utilizado para geração de energia e na futura propulsão nuclear de submarinos. É também o responsável pela consolidação do Centro Aramar, em Iperó (SP), onde é desenvolvida a pesquisa atômica nacional. Em 1994, recebeu do então presidente, Itamar Franco, a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico, por suas colaborações à ciência.

Programa nuclear. Aos 75 anos, Pinheiro da Silva é considerado o "pai" do programa nuclear brasileiro. Durante dez anos de ação sigilosa, esteve à frente do extinto Programa Nuclear Paralelo - desenvolvido pela Marinha, com apoio do Instituto de Pesquisas Energéticas Nucleares (Ipen) e da Comissão Nacional de Energia Nuclear -, cujo objetivo era tornar o Brasil potência nuclear. Neste período, foi o operador das contas Delta - contas secretas usadas para a compra, no exterior, de componentes nucleares destinados ao projeto brasileiro.

O programa ganhou impulso durante o governo do presidente militar João Figueiredo.

O empreendimento, que deixou de ser secreto em 1987 e foi oficializado pelo ex-presidente José Sarney, resultou no domínio do ciclo de produção do combustível nuclear, o urânio U235 enriquecido pelo processo de ultracentrifugação, e no desenvolvimento do sistema propulsor do submarino nuclear brasileiro em desenvolvimento no novo estaleiro da Marinha em Itaguaí, no Rio.

Em 1990, uma CPI foi instalada para investigar o programa nuclear paralelo. Na ocasião, foram revelados detalhes das operações financeiras clandestinas que sustentaram a iniciativa e sobre o comércio não autorizado de material nuclear. Quatro anos depois, Pinheiro da Silva deixou a coordenação do programa.

Em outubro de 2005 (governo Lula), foi convidado para dirigir a Eletronuclear. Em abril deste ano, licenciou-se do cargo após a divulgação de denúncias envolvendo contratos firmados com fornecedores privados da construção da usina de Angra 3.

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