Almeida Lima diz que dirigentes deveriam ser julgados pelo STF

Para relator Renato Casagrande, após a decisão do STF de acusar os 40 envolvidos criou-se uma cobrança na opinião pública

Paulo Maciel, da Agência Estado,

05 de setembro de 2007 | 06h28

O relator do processo de cassação do presidente do Senado, Renan Calheiros, Almeida Lima (PMDB-SE), defende que processos de cassação de dirigentes do Legislativo passem a ser julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista ao Jornal das Dez, da Globo News, ele disse que os julgamentos feitos pelos próprios parlamentares acabam sofrendo influência política e grande pressão da opinião pública. "Eu acho que o momento da opinião pública julgar é nas urnas, esse é o momento político", afirmou o senador sergipano, que é contrário à cassação de Renan Calheiros. Já o relator Renato Casagrande (PSB-ES), que também participou do debate, argumentou que após a decisão do STF de acusar todos os 40 envolvidos com o mensalão criou-se um ambiente de cobrança na opinião pública. "Se o Senado não responder a esta crise com a aplicação de penalidade, ele corre o risco de ser comparado de forma negativa com o Supremo com relação ao rigor na hora de julgar os seus", ponderou o senador capixaba, que se diz favorável à cassação. Almeida Lima acha que faltou objetividade na análise dos documentos apresentados pelo presidente do Senado. "Eu tenho certeza absoluta de que se um órgão técnico-jurídico - a exemplo do STF ou da própria Procuradoria-Geral da República - tivesse analisando essas provas já teria arquivado esse processo", acredita. Indagado se Renan Calheiros tem condições políticas para continuar como presidente do Senado, ele afirmou que "até prova em contrário e até o julgamento, ele é um homem livre para o exercício da Presidência". Ele argumenta que o presidente do Senado foi eleito legitimamente e que não poderia perder o cargo por causa do jogo de poder. "Para tanto, há a necessidade de pelo menos se enfrentar o colegiado, receber os votos suficientes e não passar uma rasteira no tapetão." Relatório técnico Para Renato Casagrande, Renan Calheiros não conseguiu provar que tinha recursos suficientes para bancar as despesas dele e da jornalista Mônica Veloso. "Eu acho que o processo em si deu instrumentos para que nós pudéssemos fazer um relatório com uma base técnica muito bem estudada", garantiu o senador capixaba. Ele afirma que Renan é um senador da República sem as condições de dirigir o Senado. "Eu manifestei a minha opinião pelo afastamento do presidente do Senado porque o meu relatório concluiu pela quebra do decoro parlamentar", salientou o relator. Casagrande concorda que, com rito e prazo definidos, seria melhor que o Supremo fizesse o julgamento dos integrantes do Legislativo. "Mas no nosso caso nós fizemos um relatório técnico, com base nas informações da perícia da Polícia Federal: 70% do nosso relatório tem base da perícia da PF", concluiu.

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